Depois de ler esta notícia sobre Falcão, e dos rumores de que seguiria para O FC Porto, vieram à cabeça duas palavras que me fizeram sorrir, daquelas que me vão fazer ir parar ao Inferno quando morrer, tamanha a maldade do mesmo:
Tomislav Sokota.
Break a leg, Falcão.
Literally.
quarta-feira, 8 de julho de 2009
segunda-feira, 6 de julho de 2009
domingo, 5 de julho de 2009
Ser bom e ser bonzinho
Estava a ver um filme hoje de tarde em que ela lhe diz:
"You're too kind for your own good"
e lembrei-me duma expressão que uma amiga minha usou num jantar aqui há dias que foi:
"ele é um querido, coitadinho!".
E é assim, doce demais enjoa e simpatia a mais prejudica (-nos).
"You're too kind for your own good"
e lembrei-me duma expressão que uma amiga minha usou num jantar aqui há dias que foi:
"ele é um querido, coitadinho!".
E é assim, doce demais enjoa e simpatia a mais prejudica (-nos).
terça-feira, 30 de junho de 2009
Encaixes
Eu decoro caras com toda a facilidade. Assim que vejo alguém com quem sei que já estive, matuto, matuto, e chego ao sítio onde o conheci com relativa facilidade; porém, o mesmo não acontece com o nome da pessoa.
Lembro-me de uma vez, na sala de aula, no 12º ano, quando ía chamar uma amiga que o era desde o 10º e saiu apenas: "Oh...", fica ela espantada e eu vou outra vez "Oh...", e nisto já ela se ria e eu felizmente lembrei-me "Oh Sara, desculpa, mas isto acontece-me frequentemente..."
Esquecer-se do nome de alguém ou confundi-lo com outro é muitíssimo mau. Pior quando se está a apresentar uma pessoa:
- Olha este aqui é o Serginho!
"Jorginho"
- Diz, Serginho...?
"Jorginho!"
As pessoas que nunca confundem nomes não entendem, e as que confundem ou se esquecem entendem perfeitamente, mas têm medo que quando lhes acontece estejam perante as primeiras, isto é, já me aconteceu alguém com a mesma "característica incorporada de série" ter ficado melindrado consigo mesmo por ter confundido o meu nome - e eu na boa.
O encaixe entre feitios faz-se sobretudo no tratamento destas pequenas coisas, que o povo diz, e com razão, que "não são defeito - são feitio". São características especiais e latentes, intrínsecas e imutáveis. É-me fácil entender e aceitar que me confundam o nome, porque a mim também acontece. Transposto para muitas outras particularidades do dia-a-dia, é-nos fácil juntarmo-nos, para o bem e para o mal, mas mais para o mal, com pessoas semelhantes.
Todos nós conhecemos exemplos assim: o homem ciumento que antes era tratado como homem ciumento, juntou-se à mulher ciumenta, e agora todos se referem a eles como o "casal ciumento"; o sovina e a sovina juntaram-se, agora são "os sovinas"; "juntou-se a fome com a vontade de comer", usando mais uma vez um ditado popular.
Não menosprezando os casais que assim são felizes, julgo que esta situação os faz acomodar um pouco: as almas gémeas não são mais do que isso mesmo - almas gémeas. Nelas vemo-nos como que a nós próprios, limitando à partida novas perspectivas ou capacidades de adaptação a elas - porque não precisamos.
Os casais que dão nas vistas, e que são admirados, nos quais parece que as coisas batem naturalmente certo, têm, na minha opinião, esta coisa em comum: mais do que defeitos (ou feitios na má acepção da palavra) coincidentes, têm qualidades (ou feitios na boa acepção da palavra) em comum. Essas qualidades permitem-lhes tolerar a parte má do feitio da outra parte, que muitas vezes eles não entendem por simplesmente "não serem assim". Permite-lhes aceitar que a outra parte da relação também tem direito a ter as suas "taras e manias" - como diria Marco Paulo - e conviver com elas, mesmo que muito diferentes das deles; mais: a achar-lhes piada, até.
Os casais que o são verdadeiramente não precisam de encaixar, mas sim de se completar; não precisam de ter feitios coincidentes ao pormenor, precisam sim de sentir-se bem, de conviver bem com o feitio do outro; os casais que o são verdadeiramente, ao olhar-se nos olhos, têm nas cabeças de cada um dos seus elementos um pensamento recorrente: "não sei como me aturas tu, mas ainda bem que o fazes."
Lembro-me de uma vez, na sala de aula, no 12º ano, quando ía chamar uma amiga que o era desde o 10º e saiu apenas: "Oh...", fica ela espantada e eu vou outra vez "Oh...", e nisto já ela se ria e eu felizmente lembrei-me "Oh Sara, desculpa, mas isto acontece-me frequentemente..."
Esquecer-se do nome de alguém ou confundi-lo com outro é muitíssimo mau. Pior quando se está a apresentar uma pessoa:
- Olha este aqui é o Serginho!
"Jorginho"
- Diz, Serginho...?
"Jorginho!"
As pessoas que nunca confundem nomes não entendem, e as que confundem ou se esquecem entendem perfeitamente, mas têm medo que quando lhes acontece estejam perante as primeiras, isto é, já me aconteceu alguém com a mesma "característica incorporada de série" ter ficado melindrado consigo mesmo por ter confundido o meu nome - e eu na boa.
O encaixe entre feitios faz-se sobretudo no tratamento destas pequenas coisas, que o povo diz, e com razão, que "não são defeito - são feitio". São características especiais e latentes, intrínsecas e imutáveis. É-me fácil entender e aceitar que me confundam o nome, porque a mim também acontece. Transposto para muitas outras particularidades do dia-a-dia, é-nos fácil juntarmo-nos, para o bem e para o mal, mas mais para o mal, com pessoas semelhantes.
Todos nós conhecemos exemplos assim: o homem ciumento que antes era tratado como homem ciumento, juntou-se à mulher ciumenta, e agora todos se referem a eles como o "casal ciumento"; o sovina e a sovina juntaram-se, agora são "os sovinas"; "juntou-se a fome com a vontade de comer", usando mais uma vez um ditado popular.
Não menosprezando os casais que assim são felizes, julgo que esta situação os faz acomodar um pouco: as almas gémeas não são mais do que isso mesmo - almas gémeas. Nelas vemo-nos como que a nós próprios, limitando à partida novas perspectivas ou capacidades de adaptação a elas - porque não precisamos.
Os casais que dão nas vistas, e que são admirados, nos quais parece que as coisas batem naturalmente certo, têm, na minha opinião, esta coisa em comum: mais do que defeitos (ou feitios na má acepção da palavra) coincidentes, têm qualidades (ou feitios na boa acepção da palavra) em comum. Essas qualidades permitem-lhes tolerar a parte má do feitio da outra parte, que muitas vezes eles não entendem por simplesmente "não serem assim". Permite-lhes aceitar que a outra parte da relação também tem direito a ter as suas "taras e manias" - como diria Marco Paulo - e conviver com elas, mesmo que muito diferentes das deles; mais: a achar-lhes piada, até.
Os casais que o são verdadeiramente não precisam de encaixar, mas sim de se completar; não precisam de ter feitios coincidentes ao pormenor, precisam sim de sentir-se bem, de conviver bem com o feitio do outro; os casais que o são verdadeiramente, ao olhar-se nos olhos, têm nas cabeças de cada um dos seus elementos um pensamento recorrente: "não sei como me aturas tu, mas ainda bem que o fazes."
segunda-feira, 29 de junho de 2009
"A Raposa e as Uvas", por La Fontaine
Raposa matreira foi pôr-se
debaixo d'erguida parreira,
Cos olhos num cacho
Das uvas mais belas,
Contando com elas;
Armou-lhes três pulos,
Porém autos nulos,
Que não lhes chegou:
De novo saltou,
Mas teve igual sorte;
Buscando outro norte,
Num ar de desdém,
Torcendo o nariz,
Com gestos de quem
Por más não as quis,
Foi pernas metendo
Com lépido passo,
E disse entendendo,
Qu'as outras a ouviam:
"Estão em agraço,
Nem cães as comiam."
Há muitos humanos
Que seguem tais planos,
Por coisas se empenham
Que sôfregos querem,
E delas desdenham
Se não lhas conferem.
(li uma versão desta fábula em que a parreira das uvas era assolada por uma rajada de vento, e a raposa ainda olhava para trás para ver se ela de facto tinha caído, mostrando continuar interessada nelas; noutra a parreira caía mesmo, mas a raposa não voltou atrás para não dar o braço a torcer e ir comer do que tinha desdenhado antes; noutra ainda, chegou a prová-las, a comê-las e a queixar-se de que de facto, estavam mesmo verdes, quando isso era claramente mentira.
Há muitas raposas por aí, parece-me.)
debaixo d'erguida parreira,
Cos olhos num cacho
Das uvas mais belas,
Contando com elas;
Armou-lhes três pulos,
Porém autos nulos,
Que não lhes chegou:
De novo saltou,
Mas teve igual sorte;
Buscando outro norte,
Num ar de desdém,
Torcendo o nariz,
Com gestos de quem
Por más não as quis,
Foi pernas metendo
Com lépido passo,
E disse entendendo,
Qu'as outras a ouviam:
"Estão em agraço,
Nem cães as comiam."
Há muitos humanos
Que seguem tais planos,
Por coisas se empenham
Que sôfregos querem,
E delas desdenham
Se não lhas conferem.
(li uma versão desta fábula em que a parreira das uvas era assolada por uma rajada de vento, e a raposa ainda olhava para trás para ver se ela de facto tinha caído, mostrando continuar interessada nelas; noutra a parreira caía mesmo, mas a raposa não voltou atrás para não dar o braço a torcer e ir comer do que tinha desdenhado antes; noutra ainda, chegou a prová-las, a comê-las e a queixar-se de que de facto, estavam mesmo verdes, quando isso era claramente mentira.
Há muitas raposas por aí, parece-me.)
sábado, 27 de junho de 2009
Chatice das Efemérides
A irmã Lúcia morreu a 13 de Fevereiro de 2005, e o Mickael Jackson a 25 de Junho de 2009.
Agora sempre que eu fizer anos vai fazer anos que ela morreu, e sempre que o pai fizer anos vai fazer anos que ele morreu.
Imaginem o que é nascer a 13 de Maio em Portugal, a 11 de Março em Espanha ou a 11 de Setembro nos EUA... é dia em que não podemos ver as notícias para não estragar a festa.
Agora sempre que eu fizer anos vai fazer anos que ela morreu, e sempre que o pai fizer anos vai fazer anos que ele morreu.
Imaginem o que é nascer a 13 de Maio em Portugal, a 11 de Março em Espanha ou a 11 de Setembro nos EUA... é dia em que não podemos ver as notícias para não estragar a festa.
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