terça-feira, 15 de setembro de 2009
É possível
Rotura muscular na planta do pé (entre o calcanhar e os dedos), derivada de ter descido escadas íngremes descalço.
sábado, 12 de setembro de 2009
Descobrir o silêncio
Li no último livro de Miguel Sousa Tavares, que tive oportunidade de comentar aqui, que o que temos necessidade de escrever resulta daquilo que não dissemos nalgum dia.
Não obstante eu falar bastante, e fazer-me entender com relativa facilidade - coisa que aliás muito me apraz - tinha, mesmo assim, muitas ideias para pôr no papel, muito de mim por explicar - quem sabe, por explicar a mim próprio.
Sempre pensei que esta necessidade de me exprimir por escrito viesse do facto de eu pensar em muito mais coisas do que aquelas sobre as quais falava: julgava que esta constante meditação - ou devo dizer inquietação? - me fazia sobretudo querer partilhar, através da escrita, as conclusões a que chegava, as lições que aprendia, os valores que preconizava - e preconizo.
Descobri, afinal, que não era o facto de eu pensar naquilo que houvera ficado por dizer que me levava a escrever, mas sim o facto de eu escrever que me levava a pensar no que tinha ficado por dizer. Ou no que eu pensava ter ficado por dizer.
Em outras palavras, a escrita - leia-se, a necessidade de ser compreendido - levou-me ao refúgio onde me sinto à vontade para expressar pensamentos meus, muitas vezes frutos de quem pensa claramente demais.
É estranho, para quem me lê e estiver atento, que este texto seja, na sua essência, um contra-senso com aquilo que diz. Se esta questão não me tivesse inquietado - mais uma vez - ele não existiria. Contudo, desta vez existe a tal noção de que ele não surge porque eu reflicto apenas, ou sequer porque tenho necessidade de ser compreendido, surge sim como reflexo de uma maneira agradável, precisa e acima de tudo confortável que eu tenho de me refugiar nas palavras, muitas vezes sem necessidade.
Estou a trabalhar nas maneiras difíceis de demonstrar o que sinto.
Estou a ter uma recompensa avassaladora.
Sinto que com muitos sorrisos, muitos gestos, muita disponibilidade e um gostar tranquilo que se vê no fundo dos olhos, que se faz compreender com uma força e uma veemência que as palavras nunca trariam, fica muito pouco por escrever, fica muito pouco por dizer.
Na verdade, sinto que fica tudo dito.
Não obstante eu falar bastante, e fazer-me entender com relativa facilidade - coisa que aliás muito me apraz - tinha, mesmo assim, muitas ideias para pôr no papel, muito de mim por explicar - quem sabe, por explicar a mim próprio.
Sempre pensei que esta necessidade de me exprimir por escrito viesse do facto de eu pensar em muito mais coisas do que aquelas sobre as quais falava: julgava que esta constante meditação - ou devo dizer inquietação? - me fazia sobretudo querer partilhar, através da escrita, as conclusões a que chegava, as lições que aprendia, os valores que preconizava - e preconizo.
Descobri, afinal, que não era o facto de eu pensar naquilo que houvera ficado por dizer que me levava a escrever, mas sim o facto de eu escrever que me levava a pensar no que tinha ficado por dizer. Ou no que eu pensava ter ficado por dizer.
Em outras palavras, a escrita - leia-se, a necessidade de ser compreendido - levou-me ao refúgio onde me sinto à vontade para expressar pensamentos meus, muitas vezes frutos de quem pensa claramente demais.
É estranho, para quem me lê e estiver atento, que este texto seja, na sua essência, um contra-senso com aquilo que diz. Se esta questão não me tivesse inquietado - mais uma vez - ele não existiria. Contudo, desta vez existe a tal noção de que ele não surge porque eu reflicto apenas, ou sequer porque tenho necessidade de ser compreendido, surge sim como reflexo de uma maneira agradável, precisa e acima de tudo confortável que eu tenho de me refugiar nas palavras, muitas vezes sem necessidade.
Estou a trabalhar nas maneiras difíceis de demonstrar o que sinto.
Estou a ter uma recompensa avassaladora.
Sinto que com muitos sorrisos, muitos gestos, muita disponibilidade e um gostar tranquilo que se vê no fundo dos olhos, que se faz compreender com uma força e uma veemência que as palavras nunca trariam, fica muito pouco por escrever, fica muito pouco por dizer.
Na verdade, sinto que fica tudo dito.
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Guidance
A única coisa que a nossa mente decide é quão bem quer tratar o nosso coração.
Quanto respeito escolhe ter por ele, o quanto lhe quer oferecer uma vida longa e saudável. Não deve - não pode, eu diria - reclamar a si o direito de guiar as suas decisões.
Decidimos o que comemos, o desporto que fazemos, as pessoas com as quais nos damos, o que lemos, até escolhemos o que recordamos, aquilo a que damos de facto importância, escolhemos a maneira como vemos cada situação, escolhemos a maneira como preferimos ver os outros, escolhemos as nossas acções, atitudes e comportamentos.
Mas não escolhemos de quem gostamos. Não escolhemos sentir mágoa quando queríamos sentir amor. Não escolhemos sentir tristeza onde devia estar alegria. Não escolhemos gostar de cinema quando temos uma família de advogados. Não escolhemos gostar de letras numa família que vem de ciências. Não escolhemos a piada que achamos à namorada do amigo.
Não escolhemos o que sentimos.
Não há boas decisões puramente racionais: mesmo quando estas são tomadas segundo critérios objectivos e cálculos precisos, são-no porque se sente que aqueles são os parâmetros ideais para achar a melhor solução.
Toda a decisão que não vá de encontro àquilo que de facto sentimos ser melhor em determinado momento será penosa de tomar, e difícil de contornar na vida. Podemos convencer-nos a nós próprios com frases ditas em voz alta, podemos perguntar a amigos o que acham até encontrar algum que concorde connosco, melhor, que diga o que queremos ouvir. Não me parece que, a longo prazo, resulte.
O nosso coração sabe tudo em cada momento. Sabe, pelo menos, tudo o que precisa de saber para nos guiar em rumo, em rota de fundo. Porque essas coisas, as que são realmente significativas, sentem-se.
Nós é que, às vezes, escolhemos não o ouvir.
Quanto respeito escolhe ter por ele, o quanto lhe quer oferecer uma vida longa e saudável. Não deve - não pode, eu diria - reclamar a si o direito de guiar as suas decisões.
Decidimos o que comemos, o desporto que fazemos, as pessoas com as quais nos damos, o que lemos, até escolhemos o que recordamos, aquilo a que damos de facto importância, escolhemos a maneira como vemos cada situação, escolhemos a maneira como preferimos ver os outros, escolhemos as nossas acções, atitudes e comportamentos.
Mas não escolhemos de quem gostamos. Não escolhemos sentir mágoa quando queríamos sentir amor. Não escolhemos sentir tristeza onde devia estar alegria. Não escolhemos gostar de cinema quando temos uma família de advogados. Não escolhemos gostar de letras numa família que vem de ciências. Não escolhemos a piada que achamos à namorada do amigo.
Não escolhemos o que sentimos.
Não há boas decisões puramente racionais: mesmo quando estas são tomadas segundo critérios objectivos e cálculos precisos, são-no porque se sente que aqueles são os parâmetros ideais para achar a melhor solução.
Toda a decisão que não vá de encontro àquilo que de facto sentimos ser melhor em determinado momento será penosa de tomar, e difícil de contornar na vida. Podemos convencer-nos a nós próprios com frases ditas em voz alta, podemos perguntar a amigos o que acham até encontrar algum que concorde connosco, melhor, que diga o que queremos ouvir. Não me parece que, a longo prazo, resulte.
O nosso coração sabe tudo em cada momento. Sabe, pelo menos, tudo o que precisa de saber para nos guiar em rumo, em rota de fundo. Porque essas coisas, as que são realmente significativas, sentem-se.
Nós é que, às vezes, escolhemos não o ouvir.
Paradoxos
Conheço alguém que é simultaneamente das pessoas a quem mais custa falar sobre os seus sentimentos e que mais facilmente os demonstra.
É quase como aqueles joguinhos de mímica em que não se pode sequer grunhir e se comunica por gestos.
E dou por mim a pensar "antes assim, que ao contrário".
É quase como aqueles joguinhos de mímica em que não se pode sequer grunhir e se comunica por gestos.
E dou por mim a pensar "antes assim, que ao contrário".
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Tudo a seu tempo
Primeiro olhamo-nos.
Os contactos físicos são quase nulos.
Damos as mãos, passamos os dedos pelos cabelos um do outro, fazemos uma festa no nariz.
Mais tarde envolvemo-nos.
Conversamos mais do que nunca.
Depois somos um só, resolvemos e deliberamos em conjunto, deixamos descendência e cuidamos dela.
Continuamos a conversar mais do que nunca.
Envolvemo-nos de novo, descobrindo novas formas que a idade nos trouxe.
Voltamos a dar as mãos, a passar os dedos pelo cabelo um do outro, se ainda o tivermos, e a fazer uma festa no nariz.
Os contactos físicos serão, a seu tempo, quase nulos.
E finalmente olhamo-nos.
E sorrimos.
Ou então quando tiveres 50 anos troco-te por duas de 25.
Logo decido.
Os contactos físicos são quase nulos.
Damos as mãos, passamos os dedos pelos cabelos um do outro, fazemos uma festa no nariz.
Mais tarde envolvemo-nos.
Conversamos mais do que nunca.
Depois somos um só, resolvemos e deliberamos em conjunto, deixamos descendência e cuidamos dela.
Continuamos a conversar mais do que nunca.
Envolvemo-nos de novo, descobrindo novas formas que a idade nos trouxe.
Voltamos a dar as mãos, a passar os dedos pelo cabelo um do outro, se ainda o tivermos, e a fazer uma festa no nariz.
Os contactos físicos serão, a seu tempo, quase nulos.
E finalmente olhamo-nos.
E sorrimos.
Ou então quando tiveres 50 anos troco-te por duas de 25.
Logo decido.
terça-feira, 1 de setembro de 2009
8 beijinhos para vós todos
Eu não sou mau perdedor, sou antes um óptimo ganhador.E gostei de ver e ouvir que não sou o único benfiquista que festeja mais e mais à medida que o marcador aumenta: para nós, ganhar nunca é suficiente.
Para vos dar uma ideia, há duas pontuações que são as minhas preferidas na sueca: 61 e 120.
Ganhar é bom quando dá gozo ganhar, quando foi renhido e conquistado até à última gota de suor; ou quando esmagamos de tal forma o adversário, por meios legais e puramente desportivos, que os vemos resignados ao facto de simplesmente não terem argumentos para nós. A cada golo que passa.
Ontem foi assim.
P.S: o mais importante do jogo foi o golo do Hélder Barbosa. Para que se mostre que um Guarda-Redes tem de estar atento 90 minutos, mesmo que não faça nada o jogo todo.
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