Vais passar as mãos pela minha careca e dizer-me que após este tempo todo ainda me amas.
Enquanto os netos brincam no jardim, porque os pais deles coitados estão muito atarefados, partilhamos em silêncio a boa sorte da nossa vida.
Já tudo o que vem para trás nos tem aos dois, indissociáveis.
Entendemos que a nossa vida poderia ter sido um milhão de outras coisas possíveis mas que nenhuma delas seria melhor que esta.
Levaremos os putos para casa, tu contas-lhe de como as coisas eram diferentes antigamente - agora - e eu ensino-lhes os ditados que por essa altura já todos esqueceram.
Hei-de falar-lhes do Rui Costa, do Paulo Sousa e do Ronaldo como me falam agora do Coluna, do Eusébio e do José Águas.
E tu vais explicar-lhes como é que me conheceste, vais dar-lhes lições sem nunca os tratar mal, porque para falar grosso existe o avô.
Vais mimá-los demasiado, e eu vou deixar.
Vais dizer o que todas as mães dizem quando os filhos deixam de ser os filhos e passam a ser os pais: meus filhos criados, meus males dobrados.
Vamos ser dois velhos pintarolas, que façam desporto e sejam elegantes.
Vais ver-me ser feliz.
Anda ;)
quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
I'm from the moaning kind
Estaciono ao pé da faculdade, numa rua de sentido único que dá para a melhor urbanização de coimbra, onde moram os sôutores, as excelências e os meretíssimos.
Pelos espelhos, sempre.
Imaginam um gajo de óculos escuros, com agilidade de rapaz novo, com olhos de rapaz novo, com jeito de quem sabe da poda, a estacionar o carro com o braço direito atrás do banco do pendura? Naaaaaa!
Pelos espelhos.
Pneus a 10 cm do passeio, carro desligado, carteira, telemóvel, não vem ninguém a passar, abro a porta, a musica alta faz-se ouvir fora do carro, sim que os vidros vão sempre fechados por causa do ar condicionado.
E pego na pasta que vinha do banco de trás, já depois de ter baixado a música, sempre a cantá-la, vou à frente, tiro a chave da ignição, a música pára, fecho a porta, tranco o carro, continuo a cantar a música que acabou e na altura em que não sei mais a letra vejo a velha a olhar para mim, do outro lado da estrada, corcunda, bengala na mão, 80 e tal anos, com um ar indiscutivelmente impotente, de que "no tempo dela não era nada daquilo" misturado com "se fosses meu neto levavas 3 palmadas nas trombas por ouvires musica do inferno nessas alturas, não vês que isso te faz mal aos oibidos e depois acabas moico como eu?"
Parada, depreciativa, julgadora.
Olho-a resignado, como que dizendo
"o que é que queres, eu sei que não sou certo, desculpa lá, mas há alturas na vida em que um gajo se sente pior e depois precisa de descomprimir e era isso que eu estava a fazer!"
A velha ganha no olhar, encho o peito fundo, percebo que ela me disse tudo sem me dizer nada e suspiro e gemo um "aaaaaai" ao mesmo tempo, do género "tenha dó de mim minha senhora" e acabo por caminhar em silêncio pelo passeio sem evitar que viesse o pensamento que se impunha:
"caraças da velha tem razão".
Pelos espelhos, sempre.
Imaginam um gajo de óculos escuros, com agilidade de rapaz novo, com olhos de rapaz novo, com jeito de quem sabe da poda, a estacionar o carro com o braço direito atrás do banco do pendura? Naaaaaa!
Pelos espelhos.
Pneus a 10 cm do passeio, carro desligado, carteira, telemóvel, não vem ninguém a passar, abro a porta, a musica alta faz-se ouvir fora do carro, sim que os vidros vão sempre fechados por causa do ar condicionado.
E pego na pasta que vinha do banco de trás, já depois de ter baixado a música, sempre a cantá-la, vou à frente, tiro a chave da ignição, a música pára, fecho a porta, tranco o carro, continuo a cantar a música que acabou e na altura em que não sei mais a letra vejo a velha a olhar para mim, do outro lado da estrada, corcunda, bengala na mão, 80 e tal anos, com um ar indiscutivelmente impotente, de que "no tempo dela não era nada daquilo" misturado com "se fosses meu neto levavas 3 palmadas nas trombas por ouvires musica do inferno nessas alturas, não vês que isso te faz mal aos oibidos e depois acabas moico como eu?"
Parada, depreciativa, julgadora.
Olho-a resignado, como que dizendo
"o que é que queres, eu sei que não sou certo, desculpa lá, mas há alturas na vida em que um gajo se sente pior e depois precisa de descomprimir e era isso que eu estava a fazer!"
A velha ganha no olhar, encho o peito fundo, percebo que ela me disse tudo sem me dizer nada e suspiro e gemo um "aaaaaai" ao mesmo tempo, do género "tenha dó de mim minha senhora" e acabo por caminhar em silêncio pelo passeio sem evitar que viesse o pensamento que se impunha:
"caraças da velha tem razão".
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
Tottenham 5-1 Arsenal
Meia final da taça da Liga em Inglaterra, na primeira mão os gunners tinham conseguido empatar com dificuldade a uma bola em casa.
Foi daqueles jogos que faz toda a gente gostar de futebol.
O Tottenham trocidou: com 4-0 aos 60 minutos, Wenger obrigou-se a pôr a artilharia pesada que lhe restava do banco para evitar sofrer uma derrota ainda mais pesada.
Foi 5-1, podia ter sido 10 ou 11, com poucas faltas, com um estádio cheio, com um ambiente fantástico (cantou-se duas vezes "when the saints go marching in", foi perfeito! E com a cara de mau do treinador do arsenal que é definida por uma palavra muito inglesa - priceless - e que o Mourinho deve ter apreciado bastante ali de Setúbal)
Os Spurs, que não batiam o Arsenal há 9 anos, deram-lhes um banho de bola daqueles de envergonhar qualquer um.
Se puderem vejam o jogo na íntegra
1-0 Jenas 3'
2-0 Bendtner 27’ (própria baliza)
3-0 Keane 48’
4-0 Lennon 60’
4-1 Adebayor 70’
5-1 Malbranque 90’
Foi daqueles jogos que faz toda a gente gostar de futebol.
O Tottenham trocidou: com 4-0 aos 60 minutos, Wenger obrigou-se a pôr a artilharia pesada que lhe restava do banco para evitar sofrer uma derrota ainda mais pesada.
Foi 5-1, podia ter sido 10 ou 11, com poucas faltas, com um estádio cheio, com um ambiente fantástico (cantou-se duas vezes "when the saints go marching in", foi perfeito! E com a cara de mau do treinador do arsenal que é definida por uma palavra muito inglesa - priceless - e que o Mourinho deve ter apreciado bastante ali de Setúbal)
Os Spurs, que não batiam o Arsenal há 9 anos, deram-lhes um banho de bola daqueles de envergonhar qualquer um.
Se puderem vejam o jogo na íntegra
1-0 Jenas 3'
2-0 Bendtner 27’ (própria baliza)
3-0 Keane 48’
4-0 Lennon 60’
4-1 Adebayor 70’
5-1 Malbranque 90’
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