terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Diga, diga?

"Se a vida te der limões, faz [a melhor] limonada [que conseguires]"
"A paciência e a sabedoria andam de mãos dadas"
"Quando não souberes como agradecer, retribui"
"A prática faz a perfeição"
"Aprende com os erros dos outros - não vais ter tempo de os cometer a todos"
"Quando um não quer, dois não dançam!"
"O amor é cego (e surdo e, provavelmente, estúpido)"
"If it wasn't the bitter, the sweet wouldn't be so sweet"
"Os homens querem mulheres bonitas. As mulheres querem os homens... que tenham tido mulheres bonitas."
"As pessoas não são perfeitas. As coisas acontecem, pelas razões mais parvas. Não é isso que nos define, mas sim o que fazemos depois, o que fazemos com o que fizemos"
by Rodrigo Guedes de Carvalho
"A nossa vida não é o que aconteceu, mas o que recordamos e como recordamos" by Gabriel Garcia Marquez
"Nem Deus, que é Deus, agrada a todos"
"Normalmente, quando alguém te pede opinião sobre o que fazer, é porque já decidiu"
"People want the truth but never want the scars"
"An eye for an eye makes the whole world blind" por Gandhi, e por sugestão de Miosotis.
"A cobra muda de pele mas não muda de fel"

[dou um rebuçado literário a quem descobrir sobre quem estava a falar o senhor que disse esta frase. Primeira e única pista: a pessoa em questão faz parte dos quadros do Sporting]

Estou a precisar de férias

Ontem deitei-me eram 20:30.
Vinte e trinta.
Oito e meia da noite.
A meio do telejornal.

Acordei às 5 porque tinha sede. E às 7 porque tinha de ser.
E cheio de sono na mesma.

O fim do ano implica o começo do estudo para os exames - que é como quem diz, comparado ao que tem acontecido até agora, o começo das minhas férias de inverno.

Nunca mais é dia 31.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Estamos sempre a aprender

Hoje fui ao cinema sozinho.
Nunca tinha ido. Sozinho.
Mas achei que se nenhuma das pouquíssimas pessoas que tiveram a honra de ser convidadas por mim estava disponível, não me ía forçar à companhia de alguém que não queria só para não ir sozinho.
Faz sentido, não?

"Caim", de José Saramago


Lembrei-me daquela célebre frase do presidente americano que dizia "não perguntes o que o teu país pode fazer por ti, mas sim o que podes fazer pelo teu país".
Acredito que o meu país só tinha a ganhar se os jovens que são tão emaranhados pela sua religião que não têm tempo para a questionar o lessem, e o dessem a ler aos membros da sua família e/ou amigos que os levaram a acreditar naquelas Verdades que só são absolutas e inquestionáveis até alguém as questionar convenientemente.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Vale a pena ver



A forma como este senhor desafia todos os livros sobre liderança e comportamento organizacional, reprovando explícita e publicamente um jogador, de forma claramente ameaçadora.
Gosto do ar do Fucile, um grandíssimo jogador, acabado de executar um penalti dificílimo e claramente bem marcado, com a preocupação de se esconder o que se ía fazer até ao último momento, a olhar para ele como que perguntando:
"mas o que é que este merdas quer?"
Genial.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Há 2 tipos de pessoas

As que admitem que erram e as que estão a mentir.

Casamento sim, adopção não

Lembro-me de ver um entrevista com o Júlio Machado Vaz, já não sei onde, onde ele explicava que, nos seus tempos de estudante, se faziam estudos para saber se os filhos de pais divorciados iam dar em coitadinhos ou em criminosos. Não sei se foram textualmente estas as palavras, mas sei o sentido com que o disse: assumia-se, naquele tempo, que os filhos de pais divorciados iam sempre padecer de qualquer coisa que tivesse directamente a ver com a separação, não se pondo a hipótese de crescerem em normalidade ou até em condições melhores do que se vivessem com ambos.
Assumia-se também, que os pais eram de sexos diferentes, até porque como se sabe pais de sexos iguais não conseguem fazer filhos sem ajuda de terceiros.
Surge esta conversa no seguimento da discussão do decreto-lei que se debruça sobre o casamento homossexual: na minha mais humilde e refutável opinião, quem gosta de alguém o suficiente para se casar com essa pessoa - seja lá de que sexo for - deve casar-se e fazer vida com ela.
Corre-se o risco - será um risco? - de, uma vez discutido o casamento, se passe para a matéria de adopção. Não vou dizer que os filhos (necessariamente) adoptados por um casal homossexual vão dar em coitadinhos ou criminosos ou no que quer que seja. Mas, confesso ser-me muito mais estranho que um filho seja criado por duas pessoas do mesmo sexo do que apenas por uma, divorciada ou viúva. Confesso que não me veria nunca a apresentar aos meus amigos os meus pais
- Olha este é o meu pai... e este é o meu outro pai.
...hã?
Não sei se é preconceito, mas é verdade. Nada tenho contra os homossexuais - apenas tenho contra as pessoas espalhafatosas, tenham elas as opções sexuais que tiverem, e isso era matéria para todo um outro post - mas por enquanto, porque me soa forçado e anti-natura, e acima de tudo estranho, sou contra.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Listen very carefully, I shall say this only once

Não é quando falo mal que as pessoas se devem preocupar: é quando deixo de falar.
Aí sim, é grave.

Um talento inato



Que doce :)

sábado, 12 de dezembro de 2009

Pedido

Pede-se às condutoras deste país que, caso parem num semáforo ao lado de algum carro, olhem para o seu interior no sentido de aferirem da minha presença, de modo a evitar que eu tenha de ver gestos tais como tirar macacos do nariz, com uma veemência e destreza tais que, finda a tarefa, fiquem a olhar para a unha com um ar de satisfação de quem "estava a ver que não o apanhava".
Desde já agradecido.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

O Reconhecimento

Quando vemos uma caneta e lhe chamamos caneta, por que razão lhe chamamos caneta?
Porque um dia houve alguém que nos ensinou o que era uma caneta. Fez-nos senti-la, entre os dedos. Ou então encontrámos nós uma, e fomos descobrindo como sabia, sem saber muito bem como lidar com ela no início, mas habituando-nos depois. Demos-lhe uso, soubemos e experimentámos da sua utilidade. Sentimo-nos cada vez melhor com ela. A caneta serviu de ferramenta para crescermos, para criarmos, para aprendermos e para nos relacionarmos com outras pessoas.
Hoje em dia, quando vemos uma caneta, sabemos como lidar com ela, para o que serve e até onde, verdadeiramente, ela nos pode transportar com tudo aquilo que significa. E sempre que vemos uma caneta, sabemos que é uma caneta porque reconhecemos tudo isto nas nossas memórias, automática e inconscientemente.
Muito bem.
Quando vemos amor e lhe chamamos amor, por que razão lhe chamamos amor?
Lembro-me de ser puto, muito puto mesmo, e de ver novelas brasileiras deitado com a mãe ou com a avó no quarto enquanto não adormecia, e lembro-me que me divertia gozar com aqueles dramas do "eu amo você" "eu quero ficar com você a vida inteira, meu amor" e outras frases características dos apaixonados melodramáticos. Mesmo fazendo menção ao exagero da coisa, por que razão eu não reconhecia aquele sentimento - mais do que isso, desdenhava, como criança que era, dos actores - e hoje em dia sou capaz de o reconhecer, mesmo que não sejam trocadas palavras? A resposta é simples.
Porque entretanto houve alguém que me ensinou o que era o amor. Fez-me senti-lo, por toda a parte. Ou então porque bati de frente com ele, completamente por acaso, e fui descobrindo quão bem sabia, sem saber muito bem como lidar com ele no início, mas habituando-me depois. Provei-o, tomei-lhe o gosto, experimentei da sua utilidade. Senti-me cada vez melhor com ele. O amor serviu-me de ferramenta para crescer, para criar, para aprender e para me relacionar com outras pessoas.
Hoje em dia, quando vejo o amor, sei como lidar com ele, para o que serve e até onde, verdadeiramente, ele me pode transportar com tudo aquilo que significa. E sempre que vejo o amor, sei que é o amor porque reconheço tudo isto nas minhas memórias, automática e inconscientemente.
É por isto que é verdade uma coisa simples e poderosa: nós só somos capazes de reconhecer nos outros aquilo que já temos dentro de nós, aquilo que já conhecemos. Não surpreende que as pessoas intrinsecamente positivas vejam boas atitudes em acções que por pessoas intrinsecamente desconfiadas são vistas como dúbias ou mal intencionadas; não admira que pessoas descontraídas por natureza não levantem qualquer tipo de perturbação perante assuntos que incomodariam as pessoas que são naturalmente problemáticas ou neuróticas.
E implica, acima de tudo, que alguém que seja capaz de reconhecer e apreciar o bem e as virtudes em nós as tenha de ter também obrigatoriamente, para nossa felicidade, a de quem sente essa apreciação e esse reconhecimento.
É, de facto, como se nos conhecêssemos de novo, no sentido literal do termo.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Um mundo de aparências

Estava a ver os Ídolos hoje quando finalmente tive o clique para escrever um texto que há muito me andava atravessado no pensamento.
A minha favorita no programa é qualquer coisa. Não sei o nome dela, porque não me preocupei em fixar. Vi os programas anteriores aos pedaços desconexos. Sei que é amiga do gajo que não queria participar e afinal vai ganhar aquilo. Whatever.
A mulher tem uma pinta descomunal. E é uma miúda. Mas é uma mulher. Posso não seguir o programa atentamente, mas sempre que o meu irmão via a miúda - perdão, a mulher - lá me chamava e invariavelmente ficávamos os dois admirados com aquele ar de quem se está nas tintas, mas se esforça sempre.
É precisamente por aqui que quero começar: a miúda pareceu muito mais à vontade hoje do que nas eliminatórias anteriores. Parecia natural, e confiante. E porquê? Porque tem esse dom? Talvez porque tenha trabalhado mais a música que ela própria escolheu.
Costuma dizer-se que nem tudo o que parece, é. Eu digo mais do que isso: nada do que parece, é.
Se os concorrentes estão tranquilos no palco é porque trabalharam tanto para estarem seguros que nada parece poder correr mal. De facto, nada houve de tranquilo na preparação para a Gala para nenhum deles.
Da mesma forma, quando o Ronaldo marca um livre ao seu jeito em frente a 80 mil pessoas e festeja como se fizesse aquela merda todos os dias depois do pequeno-almoço - será um dom que só ele tem? Nasceu com ele? Ele está a querer parecer aquilo fácil, mas é um facto que ele faz exactamente aquilo todos os dias depois do pequeno-almoço, e atira 20 ou 30 para se aperfeiçoar. Por dia.
O treino, o esforço, a vontade e a persistência só são experimentadas por quem efectivamente tenta fazer o que quer que seja e se apercebe que não é fácil.
Mas passemos para coisas mais terrenas: quando encontramos alguém que nos ouve sem nos interromper e nos olha sistematicamente nos olhos, enquanto anui positivamente e nos dá dicas para continuarmos a falar, e faz isto tudo duma maneira natural - tão natural que parece que nasceu com aquele dom - não será assim porque essa pessoa se treinou para ser assim?
Quando as pessoas não conseguem comer ou sair da casa de banho sem lavar as mãos... não será porque têm o gesto treinado e mecanizado e já actuam dessa maneira, que se sabe higiénica e apropriada?
Não podemos nós treinar a maneira como encaramos o que nos acontece de forma a retirar as melhores ilações e ver o bem nos pequenos males que vão acontecendo?
Tenho lido vários livros que rezam neste sentido: o que há de inato nas pessoas são aptidões focalizadas mais para uma vertente ou outra. Reparemos: não existem muitas pessoas no mundo com a aptidão para cantar que tem a Beyonce ou o Mika. Nem todos os rapazes da bola conseguem marcar livres como o Ronaldo. Mas todos temos a capacidade de treinar e adquirir competências nas mais variadas situações que nos levem a ser equilibrados primeiro e a potenciar aquilo que nasceu connosco como admirável, depois.
Nem todos podemos ser muito bons em tudo. É fatal e correcto.
Porém, nenhum de nós deve abdicar desse direito - e eu diria dessa obrigação - que é adquirir hábitos que nos convenham.
Estamos habituados a lavar os dentes. A lavar as mãos. A tomar banho. A pedir licença para rasgar uma folha. A pedir perdão se arrotamos. A pôr o cinto quando ligamos o carro. A ligar as luzes quando andamos de mota. A dizer bom dia e boa tarde e até logo. A perguntar às pessoas como estão.
Por que não nos habituamos a esperar pela resposta? A ouvir? A dedicar algum tempo para nós? A não levantar a voz? A sentir como deve ser, sem dramas nem convulsões absurdas? A pensar positivo? A rir? A fazer desporto e/ou pequenos exercícios de relaxamento? A ter sexo?
Sim, a ter sexo! Por que não treinamos o sexo? Ou - rapazinhos que andam enganados - julgam que ela é boa na cama porque tem um dom? Nasceu com ela, querem ver?
Há uma frase que se aplica ao treino e que faz com que a aparência se transforme em realidade: devemos treinar "until it becomes second nature" - só quando já estiver tão intrinsecamente em nós enraizado o hábito de sermos admiráveis é que o passamos a ser... naturalmente.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Ouch!

Brasil, Costa do Marfim e Coreia do Norte. :/

Não vou tecer comentários - "Eu na praia"



por sugestão do João ABA

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

O que não convém esquecer

As vezes em que fomos mais felizes;
As vezes em que sentimos mais dor;
O último grande elogio que nos fizeram;
A crítica que ultimamente tenha tocado mais fundo;
A última vez que sentimos que fizemos a coisa certa;
A última vez que sentimos vergonha.

Há uns dias vi um casal de namorados a lanchar. Não eram namorados recentes, não podiam ser.
Eram daqueles casais, que já foi feliz e que já sentiu dor; que teve momentos de elogio mútuo e de críticas construtivas que os levaram ali. Um casal em que cada um deles já tinha tido tempo para fazer coisas certas e erradas, que provocaram orgulho ou vergonha.
Por entre o lanche e as bebidas, ela olhava-o de frente enquanto lhe lia mais do que ele lia no jornal. Não era um olhar embevecido, nem protector. De tanto o sentir - que não seria só daquela vez que ela o olhava assim - ele levantou os olhos do jornal e seguiu os dela, de um para o outro, sorrindo levemente e voltando à notícia que interrompera.
Agradava-lhe que ela não o olhasse com excesso de gosto, de paixão, de ternura. Agradava-lhe retribuir-lhe aquele olhar sábio, de quem sabe que uma pessoa só pode ser apreciada no seu todo e tendo tudo isto presente, e para quem o caminho se fez também de barreiras.
Eram namorados antigos, mas acima de tudo, eram pessoas com boa memória.
Só podiam ser.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Lightning Crashes



Das melhores de sempre.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Tinha saudades

Hoje de manhã acordei a ouvir chover.
Muito.
Peguei na minha roupa de cama - lençóis de malha polar, um cobertor e uma colcha quente -, e fechei a metade do olho que tinha aberto; ignorei a escuridão que fazia mesmo sendo uma da tarde; dobrei a roupa de maneira a ficar com as pontas em cima da cama (em vez de caídas na direção do chão), compus a almofada e pensei: mais meia hora.
Sem dormir, só a ouvir chover.

domingo, 29 de novembro de 2009

"Os puros"

Desenrolava-se uma conversa de café sobre certa pessoa que já não vivia nas Carvalhosas há bastante tempo; havia uma boa opinião quase consensual sobre tal personagem: que o tempo o tinha tornado mais rezingão, talvez menos preocupado em ser compreendido; que agora fazia mais o que lhe dava "na gana"; mas sempre um "gajo porreiro", com mérito na vida que levou.
Até que ao dono da tasca, que nada dizia, foi perguntado se não concordava que ele era de facto uma pessoa impecável:
- Hum... - faz uma pausa, uma cara de desconfiado e acrescenta - só se ele mudou muito!

E desde então esta expressão vingou tanto, que quando um dos amigos diz "Hum..." com aquela cara já todos acrescentamos o restante com uma gargalhada.

sábado, 28 de novembro de 2009

As "Morangas" que valem a pena

Sofia Mota
Sara Matos

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Detesto quando não me dão atenção

E não gosto muito de a pedir.

Um ponto no i

Soube hoje que a professora de contabilidade considerou duas respostas certas numa das perguntas deste teste. Como eu tinha respondido aquela que também se poderia considerar certa, tenho apenas isto a dizer-vos:

DEZ!

O que não sendo nada bom é-o tendo em conta as outras notas da turma.
E permitam-me que corrija: já não me lembro MESMO de ter uma nega.

(o novo teste foi hoje, depois comunico novidades - já que estamos nesta saga...)

Coincidências

Na jornada 9:
Braga - Benfica, apitado por Jorge Sousa (Porto)
Porto - Belenenses, apitado por Olegário Benquerença - "abre os olhos Olegário, la la la..."

Na jornada 11:
Porto - Rio Ave, apitado por Paulo Costa (Porto)
Sporting - Benfica, apitado por Pedro Proença - o senhor que apitou o penalti do Lisandro no Dragão...

Pois claro.

Vai uma aposta que para o Benfica-Porto da 14ª jornada se nomeia, também por coincidência, o Pedro Henriques?

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Quem é bom é bom



e não sei se não é falta antes do lançamento

Puff

Hoje, às 16 horas, pensei em ir para casa.
Estava farto da faculdade, estava cheio de sono, não conseguiria estudar de qualquer forma. Mas tinha aula às 18, não ía para depois voltar.
Parei no átrio.
Decidi-me.
Tinha estacionado numa subida inclinada; vesti o meu casaco quentinho; entrei no carro, e escondi tudo o que pudessem roubar-me; tranquei as portas, abri uma fresta do meu vidro; cheguei o banco para longe dos pedais, e as costas dele para trás. Faltava o despertador.
17:45.
E dormi, dormi como se nada fosse, como se estivesse em casa.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

150 euro(s)

Vou tentar contar isto com o máximo de idoneidade possível.
Um cidadão de origem africana entra nas instalações de uma agência bancária movimentada. Parece estranho, como se tivesse caído de pára-quedas: há pouco tempo em Portugal? Sinistro por natureza? Impossível saber.
Espera a sua vez alheado do mundo. O olhar é sempre vazio, como que distante, pensativo, se bem que não um pensativo compenetrado: o assunto devia ser algo entre o dia antes de anteontem e a morte da bezerra, mais coisas menos coisa.
E eis que surgida a sua vez se chega perto do balcão e, sempre reticente, diz:
"Boa tarde. São cento e cinquenta euro" [reparem como o rigor da narrativa me obriga a omitir o "s" no final da palavra euros].
O caixa levanta os olhos do monitor, franze ligeiramente o sobrolho numa fracção de segundo, para depois perguntar:
- Mas quer depositar, ou levantar?
"Quero emprestados."

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Boa Vybe

Depois de ter saído alguém à porta da faculdade para eu estacionar, como tem acontecido nos últimos tempos, fui imprimir as cábulas para a apresentação que tinha às 18 horas de hoje.
Estava uma fila imensa, tanto que acabei por demorar quase meia hora. Durante este tempo estive à conversa com o João, um miúdo amigo de amigos que foi também colega na Brotero.
Comentávamos o facto de estarmos a acabar cursos numa altura tão complicada para arranjar um emprego bom e ele queixava-se muito que estava farto de mandar currículos e nada, que não o chamavam para entrevistas, que precisava duma grande cunha porque doutra maneira não dava... este tipo de coisas. E eu disse algo como "Oh João tens de fazer as coisas pensando mais positivo. É meio caminho andado. Vais ver que resulta."
O João menospreza o que lhe digo. "Está bem, está..."
Íamos noutro assunto quando uns 5 minutos depois lhe toca o telefone.
"Sim... Boa tarde... Sou sim... Sim exactamente... Amanhã?... Às 13:30... Com certeza.... Claro que levo... Obrigado eu, ora essa... Boa tarde, com licença"
Era para assinar um contrato de um mês.

Há coisas fantásticas, não há?

Gatos

Nunca achei piada a gatos, e eles têm uma coisa que me irrita solenemente: podem estar a meio metro da berma da estrada quando se apercebem que está um carro a vir nela, mas decidem sempre que é na berma do outro lado da estrada que é mesmo mesmo seguro estarem.
Ou seja, se a meio metro da berma, um gato faz pelo menos uma distância 11 vezes maior que aquela que teria de fazer para fugir do carro.
"Ih ca burro",
como diria o outro.

domingo, 22 de novembro de 2009

Mulheres maduras

O bom de se conversar com mulheres maduras (infelizmente a maior parte tem forçosamente a partir de 3 ou 4 anos a mais que eu) é que já se não têm de explicar os pontos de vista expressos aqui, porque, na esmagadora maioria dos casos, ela já teve tempo e inteligência para chegar a eles sem a minha influência.
Felizmente, há excepções ao parêntesis.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Zaragatoa

Amo esta palavra de paixão.
É uma coisa nojenta, usada para colher amostras de saliva e de muco nasal para testes de ADN, por exemplo, mas soa tão bem.
E eu adoro paradoxos.
Zaragatoa.
Lindo.

domingo, 15 de novembro de 2009

"Presente!"


O CCC fez 30 anos esta semana.
Não trata este texto da sua construção e manutenção até aos dias de hoje, mas sim do que fez com que ele fosse construído e se tivesse mantido até agora.
Ao longo destes meses tenho-me apercebido de algo muito gratificante: muitas vezes a única razão pela qual as pessoas não dizem "presente" é a de que ninguém lhes pergunta se de facto lá estão.
Havendo quem lhes explique objectivos, demonstre vontade e medidas, e lhes dê recompensas (como a festinha que fizemos ontem) elas não nos falham nem nos deixam a falar sozinhos.
São as quotas em atraso que estão a ser pagas muitas vezes por um valor superior ao seu valor simbólico; são as pessoas que nos recebem com um "estava a ver que não passavam aqui!", não querendo deixar de contribuir para a causa; são aqueles pormenores-chave como saber o número de sócio de cor, coisa que não lhe era perguntada há uns bons anos; são as portas das adegas sempre abertas - "então e não bebem nada?"; são as palavras de incentivo "ora muito bem, os jovens é que devem pegar nisso, qualquer coisa que precisem digam!"; são aqueles que já tinham dito que não ajudavam mais e que voltaram a ajudar, e aqueles que sendo novos na terra chegaram viram e venceram, ou seja, se fizeram imediatamente sócios e compareceram na nossa festa de aniversário.
Da mesma forma que este blogue existe porque há quem o escreva e quem o leia, sendo eu nada sem os vossos comentários e interesse e sem as vossas palavras de reconhecimento, o CCC existe porque houve quem o dirigisse e dirija e porque sempre houve quem, por detrás das sucessivas direções ao longo do tempo, o apoiasse o melhor que podia, e tivesse dito "presente" sempre que era necessário.
Aos sócios, às suas famílias, amigos e convidados, aos amantes do porco no espeto, do caldo verde, das taças de tinto ou das minis geladas, das sobremesas e do pezinho de dança, que tanta vez souberam dedicar-se ao CCC sob os mais variados desígnios, o meu mais sincero agradecimento.
Assim, vale a pena.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

O Villas Boas


É um rapaz com bom aspecto, conhece o futebol, trabalhou com o Mourinho, tem créditos dados e fez trabalho na Briosa que se viu em duas semanas.
Não tinha dúvidas de que o Sporting o sondaria para seu próximo treinador.
Posto isto, era difícil que ele para lá fosse sem que eu não fizesse um post aqui a chamar-lhe vira-casacas em vez de Villas Boas: era preciso que ele conduzisse o processo de tal forma que não restassem dúvidas de que a Académica de Coimbra fosse sempre respeitada e tentasse sair do negócio financeiramente recompensada.
Por toda a atitude ao longo do processo tenho a dizer que fiquei agradavelmente surpreendido - e se tantas vezes dedico as minhas palavras mais duras a gente da bola, quando há que dizer bem é necessário fazê-lo.
Mesmo que, no futuro, ele troque para um clube maior, o que eu acho que acontecerá mais cedo ou mais tarde, gosto de sentir que ainda há gente com dignidade e palavra.
E fico muito contente que ele não vá para o Sporting.
Ainda começavam a jogar à bola, e depois era um problema.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Uma alma do demónio

Eu sei que é errado. Eu sei.
Mas a única coisa que eu consigo fazer ao ver este documentário sobre as pessoas com o Síndrome de Tourette é rir-me. E rio-me tanto, tanto, tanto, que me sinto mal nos breves segundos entre uma gargalhada e outra.

A expressão do momento

"Bota gel!"

Usada no mesmo contexto que "siga para bingo!", ou "está feito, vamos embora!".
Espectacular.

(créditos para o João ABA, assíduo leitor deste blogue)

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Oito virgula setenta e cinco

Ou nove valores, na prática.
As notas foram todas tão más que a prof vai fazer novo teste, portanto o livro do padrinho vai ter mais uso que o esperado.

(já não me lembrava de ter uma nega)

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

We're gonna be just fine

Confiar na sorte é uma coisa que aprendi a fazer desde há relativamente pouco tempo. Demorei a entender o conceito, a aplicá-lo às coisas mais simples e nem sempre ainda o faço bem; contudo, nas situações em que resulta sinto-me grato.
Hoje em dia não procuro o meu estacionamento sem pensar "de certeza que tenho um lugar aqui", ou então "quem é que vai sair para eu meter?".
Serve isto de exemplo: hoje tive teste e precisava de comprar um livro para estudar. Sábado passado tentei na Almedina, local onde estava a estudar, sem sucesso. Subi ao Fórum, e na Bertrand nada: "não há no país, vai demorar 3 semanas a encomendar".
Saí da loja e passou-me pela cabeça um pensamento recorrente em quem é pessimista por natureza: já devias ter-te preocupado com isto há mais tempo, mesmo que o tenhas pouco. Mas cada vez mais eu me pergunto nessas ocasiões:
"OK, como é que vamos resolver isto?"
Tiro fotocópias do da Marta, pensei eu, embora seja ilegal é uma situação de recurso e dela dependia o sucesso académico dum futuro grande gestor deste país (cof cof) portanto pareceu-me aceitável.
E eis senão quando saio do Fórum e está a entrar nessa altura - precisamente - o meu padrinho de faculdade, encontrado por acaso e que já não via há meses.
Ah e tal então que andas a fazer?
"Epa vim comprar um livro de contabilidade das sociedades mas parece que não há... mas não há crise, eu arranjo-me"
Opa se quiseres eu tenho isso.
"Tens?"
Pois claro que tinha. Tinha-o sublinhado e anotado, e tinha-o com aquelas fitas transparentes todas paneleiras que se põem nos códigos e nos livros para se consultarem mais facilmente.
E foi a casa buscar-mo e levar-mo à Almedina.

Portanto fica o agradecimento ao padrinho que me deu a honra de o escolher no meu primeiro dia de faculdade, e ao universo que me escolheu a mim por entre milhões de candidatos a esta vida :P

sábado, 7 de novembro de 2009

Sono

Vou dormir mais de 5 horas pela primeira vez esta semana.
Nem sei se fique triste se contente.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Dizia a avó da colega para ela

"o dinheiro na tua mão parece manteiga em focinho de cão".

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Diz a mãe

"Sociedades?... Só com o homem na cama, e de unhas cortadas!"

domingo, 1 de novembro de 2009

O 1º de Novembro e o Princípio de Pareto

O primeiro de Novembro é como o Natal, com uma simples diferença: em vez de se lembrarem dos vivos, lembram-se dos mortos.
Raramente me lembro de 95% das pessoas que conheço. É verdade.
Entre colegas de faculdade, colegas de colegas de faculdade, colegas e amigos dos pais, colegas e amigos do irmão, gente que é conhecida de gente que eu conheço, eu não me lembro de 95% deles (a não ser que alguém mos lembre). Contudo, dos restantes 5% eu lembro bem.
Sei do que gostam, sei de que clube são, sei-lhes os defeitos e as virtudes, sei o que devo responder em cada altura, e em relação a alguns deles sei como evoluíram como pessoas, como apreciar as diferenças.
Sei que mesmo sendo tão poucos (serão?) não lhes dedico, quase nunca, o tempo que merecem. Mas lembro-me muito mais do que aquilo que lhes falo, apenas e só porque se falasse não faria mais nada o dia inteiro... ou simplesmente porque não posso.
É que me lembro-me dos mortos também, é por isso que não posso.
Nem só no dia 1 de Novembro me lembro deles, da mesma maneira que, como escrevi acima, nem só no Natal me lembro das "minhas pessoas", daquelas que fazem parte da percentagem mais pequena do princípio de Pareto aplicado à vida - e custa-me que, da mesma maneira que se veja como obrigação dar uma prenda no Natal, se vê o primeiro de Novembro como o dia em que a campa tem de estar impecável e em que temos de ir ao cemitério, quanto mais não seja para garantirmos que está.
Toda a gente sabe que se tivesse de haver um dia de finados, no meu caso seria o 20 de Outubro.
Ou melhor, nem toda a gente sabe.
Talvez só saibam... 5% das pessoas, agora que penso bem nisso.

Nao me apetece escrever



"... que sabe quanto vale um beijo"

Há videos que valem pelos comentários

E este é um deles!

Retirado do não está fácil.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

E o cretino, é o Jesus?

Gostei de ler um apanhado do Record sobre a rivalidade entre Manuel Machado e Jorge Jesus.
Estão justificados os 4 dedinhos.

Trucidar


trucidar
verbo transitivo
1. matar com crueldade
2. figurado humilhar completamente; arrasar, desfazer, crucificar
(Do lat. trucidáre, «id.»)

retirado do dicionário da porto editora online

Factos


O Cardozo tem mais golos marcados... que o Sporting.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

400 e 1

Não posso ter um cão.

- Tu tens um cão, não tens?
O meu querido amigo olhou para mim com um ar ambíguo, numa mistura de estranheza, admiração e melancolia.
"Como é que sabes?"
- Porque sinto.
Esfreguei o nariz e senti-me observado.
- Mas não é nada de especial, são só as minhas alergias.
Fiz questão de esclarecer que se tratava de uma reacção puramente física, não fosse o rapaz pensar que eu sentia espíritos ou coisa que o valha.
"O meu cão morreu há um ano e tal."
Olhei para ele,
- Já?
"Já. E o carro foi limpo muitas vezes depois disso"
Eu não duvidei.
Preparei-me para o discurso que tenho de fazer sempre. Que o problema não é dos locais ou das pessoas, que é meu. Eu é que tenho uma espécie de ultra-sensibilidade à presença de animais com pêlo - cães, gatos, hamsters, seja o que for.
Que era óbvio que o carro estava bem limpo, e que de certeza só eu é que ía notar aquela "presença". Não me lembro se lhe contei das várias vezes em que chego a uma casa nova e afirmo que "está um animal na sala", contrariando os donos, que pensam que o gato está lá em cima, ou que não, não o vêem em lado nenhum, até que o bicho sai debaixo de um sofá e sou olhado com o tal olhar ambíguo de quem "nega à partida uma ciência que desconhece".
Não, não sou bruxo. Sou "só" alérgico.
Sempre invejei quem os tinha: imaginava-me a contar-lhe aquilo que eu sabia não poder ser revelado; a retribuir-me com justiça o que lhe fizesse; a esquecer-se facilmente do que devia ser esquecido, a lembrar-se facilmente do que importa, e que é exclusivamente meu; do silêncio que faria no meu silêncio, ou das vezes sem conta que buscaria qualquer bola que eu atirasse, como quem diz que me ama em cada uma delas, quando me apetecesse brincar; de aprender com um ser que não fala, mas responde (no seguimento do que tenho escrito por aqui). Invejo a ausência de julgamento por detrás do desabafo, a aceitação de quando não o queremos por perto, a perda de memória (ele esquece-se ou faz que se esquece?) que ele tem sempre que sabe que perdemos oportunidades para o afagarmos.
A personalidade.
O aprender connosco, e sobre nós, sem repetições ou mal-entendidos.
A personalidade que uma folha de papel nunca terá. Tem a nossa, não a sua. Não a própria. Não a bela, a supracitada.
Existem neste espaço tantas folhas que deixaram de ser brancas porque houve um cão que nunca existiu.

domingo, 25 de outubro de 2009

Gordon Lightfoot



gosto muito :)

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Desesperar com dores físicas

Não me acontecia há muito.
Lembro-me de no dia 20 de Janeiro de 2004 ter feito um entorse grave no tornozelo direito, de ter resistido com gelo para fazer um teste de economia na hora seguinte, de só telefonar à mãe a seguir para ela ir comigo ao hospital, da batata no tornozelo, negra e grande, e do ortopedista a carregar nela e a dizer
- É aqui que dói?
Pois onde é que havia de ser meu cabrão?,
depois de ter visto no raio-x que não havia nada partido
- Tiveste sorte
Chamas sorte a isto, é?,
- Mais um bocadinho e era uma ruptura
E eu a maldizê-lo enquanto me punha o gesso à volta da batata, negra e grande, que demoraria mês e meio a ficar totalmente boa.
Lembro-me de tudo isso, mas desta vez é diferente. Não há gessos nem muletas.
Chamam-se adutores. São os músculos que se usam para juntar as pernas.
Forcem-nos demais no ginásio e depois vão ver. Andam todos torcidos, e devagar, sem muletas e sem gesso mas parecendo um aleijadinho na mesma. De cada vez que se chegam para cima na cadeira, dói. Dói a entrar no carro, dói a andar, dói a conduzir, dói a subir escadas dói, dói, dói.
E se acaso se deitam só não dói se o fizerem de lado.
Dói, mas acima de tudo, mói.
E tudo o que me mói, desespera-me.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Cascada



1/ Everytime We Touch
2/ Never Ending Dream
3/ Truly Madly Deeply
4/ What Hurts The Most
5/ What Do You Want From Me

Atentar na primeira e na quarta, principalmente.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Gosto de ver

Pessoas sisudas que são engraçadas.
Pessoas formais que são simpáticas.
Pessoas quentes que o são sem te tocar.
Pessoas austeras que são tolerantes.

E todas as outras que não sendo o que parecem surpreendem pela positiva.
Porque as aparências iludem - cada vez mais.

sábado, 17 de outubro de 2009

Fernando Pessoa

"Sem a loucura que é o homem
Mais que a besta sadia,
Cadáver adiado que procria?"

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Continuação de "Os puros"

A minha santa terra fica na margem esquerda do Mondego, numa encosta inclinada (a minha mãe maldiz o rio de dinheiro que gastou a fazer as fundações e os pilares até hoje, só para que tenham noção) e o rio faz eixo de simetria com a encosta do lado direito. Juntas fazem, portanto, um vale relativamente fechado.
Muitas vezes ao fim-de-semana praticam as pessoas de cá (umas por gosto, outras por obrigação cof cof) a chamada agricultura de subsistência, que é mais um entretém para os reformados do que propriamente outra coisa (toda a gente sabe que a subsistência se compra nos supermercados e acabou).
Ora nos dias em que é necessário ir (não é difícil perceber em que lado da questão eu me enquadro), as pessoas vão cedo (tipo 7 da manhã já a trabalhar para aproveitar até às 10 ou às 11, hora na qual o Sol começa a ficar "rijo" - termo técnico que eu adoro, a não ser quando o sinto queimar-me o pescoço na apanha da batata.)
Ora tal esforço físico intenso requer aquilo a que se chama uma "bucha" - refeição para os agricultores a meio da manhã, que antes se chamava almoço, e que convinha ser muito reforçada: normalmente nas terras andavam vários homens, alguns pagos ao dia ou juntos de forma a que sob a forma de cooperativa tácita fizessem em conjunto os terrenos de todos, diminuindo os esforços de cada um.
Por norma era a esposa do dono do terreno que fazia a bucha. Nesta situação em particular, o terreno ficava mesmo no cimo da encosta, e a casa do dono do terreno muito cá em baixo, junto do rio. Tão cá em baixo, que se alguém berrasse de onde ele estava se ouvia melhor do outro lado do rio, à mesma altura, do que no sopé da encosta do lado dele.
Ora a senhora atrasou-se na hora da bucha, e os homens estavam a ficar agastados com a situação. Então ele resolvia berrar, e berrava:
"Oh Rainhaaaaaaaaaa"
e não ouvia nada de volta, e continuava:
"Oh riquezaaaaaaaaaa"
nada
"Oh princesaaaaaaaaa"
nada e os homens sempre à espera, e como ela tardava mais e mais
"Oh putaaaaaaaaaaaa"
e ouvia sempre a cunhada (irmã da mulher, que vivia do lado de lá do rio), que muitas vezes só ali se apercebia que era o marido da sua irmã a chamá-la
"Oh Mariaaaaaaaaa"
a berrar para o sopé da encosta, onde desta vez a esposa conseguia ouvir
"Diiiiiz"
"Leva a bucha ao teu hoooooomem...!"

Ah ah ah

Inauguração de "Os puros"

Certo dia, reunidos que estavam os compinchas para um copo no café da terrinha, vira-se um dos velhotes e diz a um rapaz novo, electricista, que também estava presente, se não lhe fazia uma "caroca" em casa. Explicou que era uma coisa simples - e era - e o rapaz garatiu-lhe que ía arranjar as lâmpadas e o resto do material e lhe montava aquilo num diazito à tarde quando tivesse disponibilidade.
Tempo passou e como o velho e o rapaz não mais se encontravam o rapaz esqueceu-se, claro. Porém, quando se reencontraram ele lembrou-se de que se tinha esquecido aquele tempo todo, e disse para tentar remediar "Oh Senhor António, olhe que aquilo que você me pediu não está esquecido!"
O velho, sabidão, olha para ele, ri-se e diz:

"Oh Luís, eu sei, eu também sou assim: nunca me lembro, mas quando vejo as pessoas também nunca me esqueço..."

Bolas, que nível!

:)

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

"Os puros"

Apresenta este blogue uma nova rubrica, intitulada "os puros".
De hoje em diante serão contadas histórias verídicas, que passaram no "lugar" (é assim que as pessoas da aldeia dizem aldeia), com gente do "lugar", e depois de boca em boca (as mais antigas), ou da boca de quem viu para os meus ouvidos (as mais recentes).
Vai valer a pena, confiem em mim.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Tips

Clicar na imagem

É bonita :)

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

High Standards

Os meus amigos são gajos deste calibre: com tomates suficientes para pedirem a namorada em casamento a meio de um concerto.
Em palco.

Ah pois é!

...

"Um beijo não se pede.
Ou se dá, ou se rouba."

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Depois do flash mob, o mash up

Também se aprende neste blogue.



Uma mistura... improvável.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Só para que conste

Fez este blogue 2 anos ontem :)

No 9º ano outra vez

Estou no bar da faculdade e sinto-me como quando andava no 9º ano: a escola era do 5º ao 9º.
"Em que década é que nasceste, caloiro?"
"Noventa?"

Bolas.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Órgia (com acento)

Lembram-se do Telmo do Big Brother?
Ele em vez de dizer orgia disse órgia. Com acento.
Pois bem, órgia existe: é uma unidade de medida grega que equivale a 1,85 metros. A fazer crença que a enciclopédia onde li isto estava correcta, claro.
Posso dizer a todas as mulheres de hoje em diante que quando estão comigo estão, no fundo, bem perto de uma órgia, e pedir a todos os santos para que elas não liguem nenhuma ao acento.
Ou então posso não dizer nada - mas que ía ser engraçado ía.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Perspectiva temporal

A perspectiva segundo a qual é melhor perder 1-0 a jogar bem do que ganhar 1-0 a jogar muito mal.
É que jogando bem as probabilidades de se perder são muito menores ao longo do tempo.

(Eu ía dentro da rotunda, ele quis entrar à força, e podia ter entrado se acelerasse e se despachasse, entrou mas muito devagar, forçando-me quase a parar (!) e seguiu nos seus 10km/h a empatar o trânsito. E o Benfica tinha acabado de perder. E depois querem que uma pessoa não buzine um bocadinho que seja!)

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Question mark

A diferença entre uma grande amizade e um possível romance é só a atracção sexual?

FÓNIX!



Abertura oficial da 24ª temporada do programa da Oprah.
Black Eyed Peas, "I got a feeling"

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Com elogios

Fico mais sem saber o que dizer do que outra coisa.

Fumar... não!

O desporto faz bem :P

domingo, 27 de setembro de 2009

Talho

Local onde se escolhe a carne que se vai comer.
Em Coimbra chama-se "Jardins da Associação".

:P

Nota do redactor:
Estive para dizer "compra" em vez de "escolhe", mas achei que seria esticar a corda.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Responsabilidade

A Responsabilidade vem definida no dicionário como uma qualidade (aquilo que tem quem é responsável) ou uma obrigação de prestar contas, de justificar, de responder por certos actos próprios ou alheios.
Eu li sobre a responsabilidade numa outra perspectiva: a perspectiva mais remota da palavra.
Se pegarmos na palavra em inglês é mais fácil: responsability = response + ability, ou seja, responsability seria a habilidade/capacidade de resposta.
A palavra "responsável", teria assim outro significado mais remoto, menos óbvio: responsável não seria aquele que tinha a obrigação de responder perante certos actos ou acontecimentos, mas sim aquele que teria capacidade de o fazer.

Agora passamos para a parte mais complicada da questão.
Todos os actos ou acontecimentos da nossa vida são vistos por nós e muitas vezes interpretados - e julgados - segundo o que sabemos. Quantas vezes não julgámos mal, por nos termos apercebido depois de o fazer que havia peças do puzzle que desconhecíamos?
Todos os actos ou acontecimentos são o que são na nossa cabeça: dependem de como os interpretamos.
Perante o mesmo discurso político várias pessoas têm várias sensações. Perante uma música, cada pessoa faz a sua interpretação da letra. Perante um livro, cada pessoa imagina as personagens à sua maneira. Perante um texto, cada um se identifica segundo a sua vivência e "quadros conceptuais", digamos assim. Desta forma, o mesmo acto ou acontecimento pode sempre ser visto de variadíssimas formas.
Já aqui falei sobre empatia, sobre essa capacidade de conseguir entrar na interpretação do outro, olhar esse acto ou acontecimento segundo a perspectiva dele e conseguir fazer isso com quem quer que seja, sempre tomando em consideração cada pessoa em si. A empatia faz parte dessa capacidade de resposta que todos podemos ter.
Nós não controlamos o que nos acontece, mas podemos controlar a maneira como o encaramos. Podemos tentar não julgar antecipadamente. Podemos dar o benefício da dúvida. Podemos ser empáticos. Podemos aprender em vez de nos queixarmos. Podemos aceitar o que não podemos mudar e viver com isso. Podemos escolher não sofrer quando não há estrita necessidade disso.
E acima de tudo, podemos perguntar sempre:

"o que é que eu posso fazer para melhorar a situação?"

Just think about it

You can't spell "game" without "me".

(game, no contexto, era "engate".
Retirado de um dos episódios de "How I met your mother")

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

"Tem raiva do cú?"

Eu não sei de que religião é ele, mas era capaz de me converter.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Reacções legítimas nem sempre correctas?

No Us Open, Del Potro ganhou, aos 20 anos e com surpresa, a Roger Federer.
O suiço eliminou na meia final o Djokovic, marcando no penúltimo ponto do encontro uma das melhores bolas de sempre do ténis. Ele próprio e o público reagem assim:



Serena Williams, na meia final, foi eliminada pela Kim Klijsters, e no mesmo penúltimo ponto do encontro falha o primeiro serviço e pisa a linha no segundo - decisão muito duvidosa da juíza de linha. Serena reage mal, e como era já o segundo aviso da juíza da partida é penalizada num ponto: o último, e o jogo acaba.



No futebol, Adebayor marcou pelo Man City ao Arsenal e festejou desta maneira, restando ver como será recebido na 2ª volta no Emirates.



Por último, De Rossi e a sua Roma ganharam no campo do Siena por 2-1 no minuto 90, depois de ele ter ouvido o jogo inteiro a claque adversária gritar o nome do seu falecido sogro, morto um ano antes num tiroteio. No final, reagiu assim



Cada caso é um caso.

Marketing

Se os adeptos do Benfica seguirem uma estratégia comercial muito recorrente no café de aldeia, ou seja, se a cada golo do Glorioso for pedida uma rodada de minis, há uma boa hipótese de acabarem bêbados várias vezes esta época.

Agradecidos nós, Michael.

É possível

Rotura muscular na planta do pé (entre o calcanhar e os dedos), derivada de ter descido escadas íngremes descalço.

sábado, 12 de setembro de 2009

Descobrir o silêncio

Li no último livro de Miguel Sousa Tavares, que tive oportunidade de comentar aqui, que o que temos necessidade de escrever resulta daquilo que não dissemos nalgum dia.
Não obstante eu falar bastante, e fazer-me entender com relativa facilidade - coisa que aliás muito me apraz - tinha, mesmo assim, muitas ideias para pôr no papel, muito de mim por explicar - quem sabe, por explicar a mim próprio.
Sempre pensei que esta necessidade de me exprimir por escrito viesse do facto de eu pensar em muito mais coisas do que aquelas sobre as quais falava: julgava que esta constante meditação - ou devo dizer inquietação? - me fazia sobretudo querer partilhar, através da escrita, as conclusões a que chegava, as lições que aprendia, os valores que preconizava - e preconizo.
Descobri, afinal, que não era o facto de eu pensar naquilo que houvera ficado por dizer que me levava a escrever, mas sim o facto de eu escrever que me levava a pensar no que tinha ficado por dizer. Ou no que eu pensava ter ficado por dizer.
Em outras palavras, a escrita - leia-se, a necessidade de ser compreendido - levou-me ao refúgio onde me sinto à vontade para expressar pensamentos meus, muitas vezes frutos de quem pensa claramente demais.
É estranho, para quem me lê e estiver atento, que este texto seja, na sua essência, um contra-senso com aquilo que diz. Se esta questão não me tivesse inquietado - mais uma vez - ele não existiria. Contudo, desta vez existe a tal noção de que ele não surge porque eu reflicto apenas, ou sequer porque tenho necessidade de ser compreendido, surge sim como reflexo de uma maneira agradável, precisa e acima de tudo confortável que eu tenho de me refugiar nas palavras, muitas vezes sem necessidade.
Estou a trabalhar nas maneiras difíceis de demonstrar o que sinto.
Estou a ter uma recompensa avassaladora.
Sinto que com muitos sorrisos, muitos gestos, muita disponibilidade e um gostar tranquilo que se vê no fundo dos olhos, que se faz compreender com uma força e uma veemência que as palavras nunca trariam, fica muito pouco por escrever, fica muito pouco por dizer.
Na verdade, sinto que fica tudo dito.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Guidance

A única coisa que a nossa mente decide é quão bem quer tratar o nosso coração.
Quanto respeito escolhe ter por ele, o quanto lhe quer oferecer uma vida longa e saudável. Não deve - não pode, eu diria - reclamar a si o direito de guiar as suas decisões.
Decidimos o que comemos, o desporto que fazemos, as pessoas com as quais nos damos, o que lemos, até escolhemos o que recordamos, aquilo a que damos de facto importância, escolhemos a maneira como vemos cada situação, escolhemos a maneira como preferimos ver os outros, escolhemos as nossas acções, atitudes e comportamentos.
Mas não escolhemos de quem gostamos. Não escolhemos sentir mágoa quando queríamos sentir amor. Não escolhemos sentir tristeza onde devia estar alegria. Não escolhemos gostar de cinema quando temos uma família de advogados. Não escolhemos gostar de letras numa família que vem de ciências. Não escolhemos a piada que achamos à namorada do amigo.
Não escolhemos o que sentimos.
Não há boas decisões puramente racionais: mesmo quando estas são tomadas segundo critérios objectivos e cálculos precisos, são-no porque se sente que aqueles são os parâmetros ideais para achar a melhor solução.
Toda a decisão que não vá de encontro àquilo que de facto sentimos ser melhor em determinado momento será penosa de tomar, e difícil de contornar na vida. Podemos convencer-nos a nós próprios com frases ditas em voz alta, podemos perguntar a amigos o que acham até encontrar algum que concorde connosco, melhor, que diga o que queremos ouvir. Não me parece que, a longo prazo, resulte.
O nosso coração sabe tudo em cada momento. Sabe, pelo menos, tudo o que precisa de saber para nos guiar em rumo, em rota de fundo. Porque essas coisas, as que são realmente significativas, sentem-se.
Nós é que, às vezes, escolhemos não o ouvir.

Paradoxos

Conheço alguém que é simultaneamente das pessoas a quem mais custa falar sobre os seus sentimentos e que mais facilmente os demonstra.
É quase como aqueles joguinhos de mímica em que não se pode sequer grunhir e se comunica por gestos.
E dou por mim a pensar "antes assim, que ao contrário".

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Tudo a seu tempo

Primeiro olhamo-nos.
Os contactos físicos são quase nulos.
Damos as mãos, passamos os dedos pelos cabelos um do outro, fazemos uma festa no nariz.
Mais tarde envolvemo-nos.
Conversamos mais do que nunca.
Depois somos um só, resolvemos e deliberamos em conjunto, deixamos descendência e cuidamos dela.
Continuamos a conversar mais do que nunca.
Envolvemo-nos de novo, descobrindo novas formas que a idade nos trouxe.
Voltamos a dar as mãos, a passar os dedos pelo cabelo um do outro, se ainda o tivermos, e a fazer uma festa no nariz.
Os contactos físicos serão, a seu tempo, quase nulos.
E finalmente olhamo-nos.
E sorrimos.

Ou então quando tiveres 50 anos troco-te por duas de 25.
Logo decido.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Ainda sobre o Benfica - Setúbal

Está aqui, no final deste texto, um pensamento que eu tive também.

8 beijinhos para vós todos

Eu não sou mau perdedor, sou antes um óptimo ganhador.
E gostei de ver e ouvir que não sou o único benfiquista que festeja mais e mais à medida que o marcador aumenta: para nós, ganhar nunca é suficiente.
Para vos dar uma ideia, há duas pontuações que são as minhas preferidas na sueca: 61 e 120.
Ganhar é bom quando dá gozo ganhar, quando foi renhido e conquistado até à última gota de suor; ou quando esmagamos de tal forma o adversário, por meios legais e puramente desportivos, que os vemos resignados ao facto de simplesmente não terem argumentos para nós. A cada golo que passa.
Ontem foi assim.

P.S: o mais importante do jogo foi o golo do Hélder Barbosa. Para que se mostre que um Guarda-Redes tem de estar atento 90 minutos, mesmo que não faça nada o jogo todo.

domingo, 30 de agosto de 2009

Arroz de Lingueirão

Vão a um restaurante que fica perto de Luz de Tavira comê-lo, que se chama Marisqueira Fialho.
É inacreditável de tão bom que é.

E então vi a Mariana

Mergulhei uns 7 ou 8 metros antes dela, de propósito para passar despercebido. Fui pelo fundo da piscina, por entre os outros familiares, em direcção à prima Mariana, que comecei a ver apenas quando consegui chegar mais perto dela.
Cabeça entre as pernas dela, devagar. Mãos nos joelhos dela, um dos pés já no chão. Levanto-a de modo a que ela ficasse sentada nos meus ombros ao mesmo tempo que a subo até que fico com a cabeça fora de água.
E então vi a Mariana.
Estava, com o resto da minha família, uns 2 metros ao meu lado, a olhar surpreendida para mim e para a desconhecida que estava com o baixo-ventre no meu pescoço, julgando ser alguém que eu conhecesse.
Não conhecia.
Isto tudo demorou uns dois décimos de segundo.
Mal tinha percebido que havia pegado na pessoa errada, essa mesma pessoa vira-se para os amigos dela - que tinham o mesmo ar da Mariana e que possivelmente pensaram o mesmo que ela - e pergunta, com uma gargalhada
"Mas quem é este?"
enquanto eu já lhe mandava as pernas para trás, pedia atabalhoadamente desculpa pelo sucedido e me certificava que ela estava bem.
Foi o momento Zen da tarde.

"Não havia necessidade"

Eu nunca cacei, e as armas sempre me assustaram.
Ou talvez nunca cacei porque as armas sempre me assustaram.
Estive a pensar nisto depois de ver um pai que matou, por acidente, um filho, durante a caça e depois de me ter lembrado dum episódio de BBC Vida Selvagem - daqueles que davam na Sic antes do jornal aos fins-de-semana -, ao qual estava a assistir com o meu avô. Estávamos a ver um veado - ou, pelo menos, era o que me parecia - quando o meu avô, caçador desde antes de o conhecer, referia o prazer que lhe daria caçar "um bicho daqueles", demonstrando clara admiração por ele.
Claro que não tardei a responder-lhe que se toda a gente pensasse assim aquele documentário já se teria tornado impossível de realizar. Mas fez-me pensar nos propósitos da caça.
Há muitíssimo tempo atrás, quando não havia agricultura sequer, a caça era o sustento dos homens. Havia necessidade de caçar. Desde aí aos nossos dias passou-se por tudo, até que hoje há já criação de gado até em excesso - pelo menos ao que julgo saber nos países desenvolvidos.
Ou seja, hoje em dia caça-se para quê? Para estar em contacto com a natureza? Para fazer exercício físico? Por admiração para com o animal e o prazer de se sentir superior a ele? Tudo isto me parece repleto de machismo e de prepotência de um Homem que conseguiu por métodos e técnicas cada vez mais evoluídas livrar-se dos perigos e das perdas da caça e continua, por vontade própria e muitas vezes por recreio e diversão a arriscar a sua vida. E as vidas dos seus entes queridos, consequentemente.
Não creio que os caçadores devam perguntar-se "como será que ele baixou tanto a arma", ou "como será que o filho estava à frente", ou algo do género. As perguntas certas, quanto a mim, serão estas:
"Por que razão decidiram ir caçar?"
"Será que essas razões compensam os riscos que se correm sempre que se caça?"
E caso a caça seja por razões que os caçadores achem legítimas - ainda que ilegais - e para as quais não há outra solução aparente, como defender culturas de animais selvagens, por exemplo, coisa que eu compreendo perfeitamente, as perguntas deveriam girar em volta desta:
"Vale a pena arrastar para a caça mais do que o mínimo de pessoas necessárias ao acto?"

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

"O" Livro

Chama-se "O Santo, o Surfista e a Executiva", de Robin Sharma.
É uma mistura d' "O Segredo", com o "Servir para liderar", e com os "7 hábitos das pessoas altamente eficazes". Tem muito daquilo que eu penso sobre a vida, muito sistematizado. Revi muitos dos textos aqui escritos nele.
Façam-me um favor e leiam-no.
Obrigado.

Novos sabores, ou novas formas de saborear?

As duas coisas.
E em conjunto, fazem com que as pastilhas de melão me saibam sempre a mais do que melão.

Verdade sobre a praia

Como me chamou a atenção um homem atento e mais velho:

"Na praia é que as boas são mesmo boas."

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Lalala





Banda sonora especial :)

terça-feira, 11 de agosto de 2009

"Deus nosso senhor é pai de cada um..."

Bad Habit by The Offspring

Na minha mais humilde e claramente parcial opinião, é a música de quem anda de carro.
E quase toda a gente anda de carro.

Grandíssima malha.



Hey man you know I'm really okay
The gun in my hand will tell you the same
But when I'm in my car
Don't give me no crap
Cause the slightest thing and I just might snap
When I go driving I stay in my lane
But getting cut off makes me insane

I open the glove box
Reach inside
I'm gonna wreck this fucker's ride

I guess I got a bad habit
Of blowin' away
Yeah I got a bad habit
And it ain't goin' away Yeah

Well they say the road's a dangerous place
If you flip me off I'm the danfer you'll face
You drive on my ass
Your foot's on the gas
And your next breath is your last

I guess I got a bad habit
Of blowin' away
Yeah I got a bad habit
And it ain't goin' away Yeah

Drivers are rude
Such attitudes
But when I show my piece
Complaints cease
Something's odd
I feel like I'm God
You stupid dumb shit goddamn motherfucker

I open the glove box
Reach inside
I'm gonna wreck this fucker's ride

I guess I got a bad habit
Of blowin' away
Yeah I got a bad habit
And it ain't goin' away Yeah

Bolas, que desilusão

Hoje foi notícia mais um jogo na América do Sul, supostamente amigável, que não acabou devido a confrontos entre os jogadores.
"Fixe, porrada!"
pensei eu, que não sendo em mim, gosto de ver muita gente a distribuir pancada em muita gente, assim numa espécie de "tudo ao molho" que dá mais para rir que para ter pena dos intervenientes. Nesse jogo, estava à espera de ver um murrozinho bem dado.
Pelo menos um.
O que vi foram jogadores a jogar ao toca e foge, numa demonstração do mais puro metrossexualismo pugilista, do género que dá pena. Como quem adora fazer-se de forte mas não quer borrar o lápis dos olhos e o gel que traz no cabelo que é bastante caro, e que depois vai para o brinco e é capaz de deixar uma nódoa que não sai.
Onde está Maradona, que depois de sofrer um penalti de um Guarda-Redes que lhe quis arrancar as pernas com os antebraços, se levantou de rompante e lhe deu pontapés pelo corpo, com toda a força?
Onde está Adriano, que depois da melga do Caneira se ter armado em esperto lhe deu um soco na cara de raiva?
Onde está Cantona, que deu um pontapé em voo na cara de um adepto que se julgava inatingível por estar entre a multidão?
Onde está Zidane, à cabeçada ao Materazzi em plena final do campeonato do Mundo, depois deste último ter dito mundos e fundos da mãe e da irmã do primeiro?
Onde está Edmundo, o animal, a dar e a receber pancada em campo?
Onde está Roy Keane, na sua frieza malévola para se vingar de quem o lesionara gravemente uns anos antes e lhe dissera que se deixasse de fitas, enquanto ele gemia prostrado no chão?
Onde estão os homens que, sem recorrer nunca em primeira instância à violência, quando as circunstâncias assim o exigem sabem dar uma sabelha nos cornos de alguém que a merece bem dada e para recordar, com a mesma pinta com que espalham magia em todas as coisas boas que fazem na vida?
Onde estão os homens que pedem desculpa depois de levar porrada, porque sabem que a mereceram?

No futebol de hoje em dia ganhou-se muita coisa, mas perderam-se os homens. Aqueles para quem o fair-play implicava jogar de forma justa, mesmo quando isso significava justiça feita da forma mais dura. Quando o futebol não era para meninos que lutavam como meninas, a agarrar os cabelos uns aos outros e a jogar ao toca e foge.

Ficam os vídeos, os dos homens, e os dos outros.






segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Bravo!

Fez-me lembrar o golo do Maradona contra a Inglaterra, em que o comentador argentino já estava aos berros antes dele entrar na área e agradeceu a Deus aquele momento, à boa maneira sul americana. Chega a ser comovente.
Para os mais desatentos, senhoras e senhores: Lorenzo e Rossi, colegas de equipa na Fiat Yamaha.

domingo, 9 de agosto de 2009

Rir é o melhor remédio

Porque entendo que as homenagens são para ser feitas em vida, porque sei que quem me faz rir é quem mais merece a minha admiração e porque todos sabem a quem me refiro.


terça-feira, 4 de agosto de 2009

Twente - Sporting

Duas ilações positivas a tirar deste jogo:

1. O Sporting vai no mínimo à Liga Europa e trará mais pontos para o Ranking de Portugal no acesso às competições europeias dos próximos anos.
2. A julgar pela exibição, o Benfica tem uma possibilidade real de ficar pelo menos em segundo este ano.

Uma tragicomédia grega, pela segunda vez na Holanda (relembrar meia-final da Uefa contra o AZ).

É um campeão

Sempre o prezei muito, e emocionou-me vê-lo perder o campeonato passado na última curva. Quando Senna morreu, tinha 6 anos, e estava a ver em directo: não tinha bem noção na altura, mas desta vez percebi que era sério.
Não se entende como é que na fórmula 1 ainda há muros na parte de fora de curvas rápidas que fazem as rodas soltarem-se no embate... 15 anos depois daquela tragédia.
Ou como é que há peças que se soltam dos carros, pura e simplesmente.
Mas pronto, o que interessa é que ele volta a 100%.
Força Massa!

Os meus sonhos

Os meus sonhos são pesadelos.
Os meus pesadelos duram a noite toda.
Nos meus pesadelos há mortos e feridos e desaparecidos. Entes queridos.
Os meus pesadelos são raros, mas poderosos, e fazem-me acordar mais cansado que quando me deitei. Fazem-me acordar mais preocupado também.
Há algo de errado no meu subconsciente. Nem que seja o facto de não se poder controlar.
Sou como um amplificador ligado no máximo. Quando a música se cala fica o zumbido, o que incomoda, como quando o cérebro descansa ficam os medos. Não que isso me impeça de ser feliz, nada disso. Apenas me faz pensar o dobro, racionalizar o dobro, concentrar o dobro naquilo que é de facto importante, e no que não é: o meu subconsciente transparece mesmo assim, inadvertidamente, quando me falam e eu não ouço, quando me batem e eu não sinto, quando me olham e não dou conta, quando canto e não me ouço.
Eu não sou doente, não estou doente, não sou infeliz nem estou infeliz.
Só preciso de baixar o volume, para não ter de tocar sempre por cima, para não ter de ouvir o zumbido quando me canso da música.
Para ter o silêncio que preciso.
De vez em quando.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Ser crente à minha maneira

Deus no Céu, Jesus na Terra.
(A melhor contratação da época)

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Mariza ao Vivo

A mulher tem um vozeirão.
Nunca a tinha ouvido ao vivo e adorei... a "Rosa Branca" e a "Chuva", as minhas favoritas.



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Tenho de ser franco, eu parto-me a rir sempre que vejo isto.



terça-feira, 28 de julho de 2009

Meu Deus do céu

E lá estava ela, tão segura de si, tão bonita e educada.
O jantar sabia-lhe bem, a companhia era feminina: muitas mulheres, camisolas combinadas, pilas na testa, comida no prato, que isto de pôr cada coisa em seu sítio é muito bonito.
Muitas coisas diferentes nos levavam ali: a despedida de solteira da amiga, no caso dela. Aniversários. Jantares de turma. Jantares de amigos, no meu caso.
E a interacção era inevitável - o sotaque do norte, a música calorosa, as mesas arredadas para que todos pudessem dançar e divertir-se. As misturas nos grupos, mais ou menos propositadas.
Durante o jantar o anfitrião cantou Tony Carreira. Delírio. Eu e o mano olhamos um para o outro, numa reacção infelizmente comum: de vez em quando este tipo de música aparece como que de surpresa, cedendo ao destino a melancolia dos 3 ou 4 minutos seguintes das nossas vidas.
Mas ela não. Ela olhava à volta e fazia exactamente o mesmo, como que perguntando em que planeta estaria. Olhámo-nos, sorrimos com vontade. Encolhemos os ombros - é o mundo que temos, teremos pensado ambos.
As crianças da mesa eram fofas. Ela era fofa. Os fofos encontram-se à sobremesa, no espaço que separa uma da outra, e que mais tarde se alargou à dança. O interesse não era mais que pura curiosidade, oportunidade. Nem era interesse ainda. Era uma brincadeira.
"5 euros pelo número de telemóvel dela", e o Paulo divertidíssimo, porque afinal não se perdia nada e ainda nos ríamos um pouco.

"Olá. Olha o meu irmão disse-me que me dava 5 euros se eu te sacasse o número de telemóvel"
Olhar furtivo para mim, que dançava impavidamente.
- Mas eu tenho namorado.
Olha o meu irmão. Com uma namorada que adora, e a miúda a pensar que ele se estava a meter com ela. Nem que ela fosse a Adriana Lima.
"E daí? Nenhum de nós quer namorar contigo"
Seguiu-se a conversa habitual, que era na boa, na boa onda que nos caracteriza, que foi mais pelo Tony do que outra coisa.
E era mesmo.
"Dás-me o número ou não?"

Veio.
"Deves-me 5 euros" - com um sorriso de quem tinha, apenas, ganho uma aposta.
Trocaram duas mensagens. Na manhã seguinte veio a confirmação da atitude.
- Não me mandes mais mensagens. É que tenho namorado e também vou casar daqui a uns meses...
"Opa... ah ah ah... lê esta merda!"
Só consegui abrir a boca, soltar um "hã?" e provocar ainda mais gargalhadas nele.
"Como é que é possível?"
Abanámos a cabeça, negativamente, em conjunto.
De facto, lá estava ela, tão segura de si, tão bonita e educada, com uma pila na testa e a comida no prato, com medo dos homens à volta, perdão, com medo dela, que já tinha homem e não podia falar com mais nenhum, e nem devia haver mais mesas para além da dela, para quê a nossa?, com medo dela, ai que dei o número e não devia ter dado porque agora sou isto e aquilo e eles pensam isto e aquilo, ai que cedi à tentação e sou tão casta e pura, tão bonita e educada, que ainda nem casei e já sou assim.
- Assim
diria ela, tão fraca, que para não ter hipótese de trair o - chegará a sê-lo? - futuro marido (na cabeça dela ou aquilo era uma traição ou iria levar a isso, só pode), se priva do resto do mundo, e faz como os burros, com umas palas nos olhos postas depois de ter olhado para o lado.
Que isto de pôr cada coisa em seu sítio é muito bonito, e as palas nos olhos servem-lhe bem.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Merdas

A pior coisa que podem dizer a uma rapaz romântico, honesto, interessado, perspicaz e com um QI de 130 é que há coisas na vida dele que nunca será capaz de perceber porque é romântico, de aceitar porque é honesto, de ignorar porque é interessado, e de justificar porque é perspicaz e porque tem um QI de 130.
Que simplesmente "não vale a pena", com um encolher de ombros que o deixa ao mesmo tempo furioso, magoado, desarmado, impotente e resignado.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Mais um texto genial

Estava a ler a notícia de quem tinha dispensado no Benfica desta época, quando me lembrei desse mítico arruaceiro farrusco chamado Bynia, cujo paradeiro desconheço mas desconfio que continue a ser o Estádio da Luz. Infelizmente.
Tudo o que eu podia dizer sobre o Bynia já foi dito.
Está aqui.

Padrões

Estava a ver uma notícia de um aluno que tinha passado com 9 negativas porque coitadinho ah e tal que nasceu em mau ninho e tem problemas.
Lembro-me, no meu 8º ano, que uma colega minha, que eu vi nas primeiras duas semanas e que julguei que era só gorda, passou ao abrigo do decreto-lei XPTO: estava grávida.
Se no primeiro caso não conheço pormenores, no segundo estou mais próximo; nada se soube dela o ano inteiro, nem mesmo os professores davam importância à sua ausência, a partir de certo ponto. Toda a gente parecia ter aquela atitude bem portuguesa de quem encolhe os ombros e pensa "enfim, é a vida".
Ninguém com 9 negativas devia passar, nem nenhuma rapariga ninguém devia passar porque levou-no-pito-coitadinha. Até porque estão a prejudicá-los: presume-se que quem passa de ano sabe a matéria, logo, vai dar-se matéria mais complicada para o ano. Presume-se que os professores não vão ter que dar aulas ao ritmo de quem passou ao abrigo de decretos lei dos quais os outros alunos não têm culpa nenhuma.
Não se admite que no ensino público se julgue estar a beneficiar alguém por passar de ano IMERECIDAMENTE. Essas pessoas, não interessa que motivos tenham para ter tido maus resultados - ou não ter tido resultados de todo - não devem saltar etapas no conhecimento, deixá-lo mal sedimentado e ridicularizá-lo ao ponto de para ser conseguirem mais exames positivos que negativos de matemática no país se fazem perguntas de "quanto é dois mais dois", ou coisa que o valha. Não será assim, mas quase.
E os professores, tão compreensivos, tão ternos, tão queridos, que passaram o menino.
De facto, não é como a minha mãe diz, que "eu tenho padrões muito altos". Eu vivo é rodeado de gente que tem padrões tão baixos que me assustam - e se assustam com os meus.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Chama-se "falta de categoria"

Chama-se "categoria"



Eu ter-me-ía desmanchado a rir, mas o prestador do serviço teve muito nível.

No Porto

Na rua em frente de um restaurante concorridíssimo da cidade existem duas vias no mesmo sentido. Ambas dão para seguir em frente no final da rua, quando o semáforo abre, e quem quer virar à direita tem de estar na via da direita.
À hora do almoço, como a freguesia não tem mais onde pôr o carro senão ali, deixam-se os ditos estacionados na via da direita, num desrespeito pela linha amarela junto do passeio que atravessa toda a rua, até ao semáforo. A rua fica só com uma via, na prática.
Eram 15:30. Quase toda a gente já tinha almoçado e tirado os carros dali. Toda a gente, menos 3 condutores: o meu pai, com o carro no início da rua, o anfitrião, logo a seguir, e outra pessoa, que estacionou no último lugar antes do semáforo. Ou seja, estavam a duas vias livres a rua inteira, e quem chegasse com o semáforo vermelho não percebia por que razão o primeiro carro da fila não andava quando o verde caía, nem após insistentes buzinadelas - estava estacionado, não tinha ninguém dentro.
Que riso.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Em resumo, é isto

"Fazemos como for melhor para ti"

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Sete beijos e um abraço :)

Metáforas do mundo feminino

Negativas

Baleia: gorda, tão gorda, que dói só de olhar.
Saco de batatas: é gorda, mas não o suficiente para ser uma baleia.
Vacas: há sempre pelo menos um homem numa sala em que ela entre que já a comeu.
Víboras: aquelas que tornam impossível a vida das outras mulheres que odeiam.
Sanguessugas: as que "chupam" o dinheiro ao marido.
Onça: ou "burra", cujo QI é igual ou inferior a 70. (Estatisticamente, em cada 50 há uma destas)

Positivas

Enguia: é magra, esguia e normalmente alta.
Cavalo: alta, segura de si e bem feita fisicamente. São cavalos porque quem lhes chama isso gostava de as "montar".
Coelhas: ou coelhinhas, são aquelas que são parecidas com as miúdas da Playboy.
Sardinhas: É uma enguia, mas baixinha e normalmente arrebitada, irrequieta.

Preciso da vossa ajuda para completar a lista, caso se lembrem de alguma. Obrigado :)

"No teu deserto", de Miguel Sousa Tavares

Lê-se de um trago.
Diferente da narrativa descritiva e sustentada em factos históricos que li nos dois livros anteriores dele, esta foi íntima, foi de uma crueza telegráfica, quase como quem se deixa cair numa cama impotente para alterar o que é já inalterável.
É uma lição de que a vida é curta, o tempo é relativo, e de que são as dificuldades que fazem as pessoas - em si - e que as fazem juntar-se também, nesse "ultrapassar em conjunto" que nunca se descreve convenientemente, apenas se vive.
É a prova de que nada há mais charmoso num homem que o assumir de cara levantada os seus defeitos, e também o que faz para os compensar. E o quanto é capaz de gostar de alguém.

Se Equador me deixou a pensar que nada na vida justificava acabar com ela, este livro, num plano mais profundo, deixa a sensação de que nada na vida devia ser justificação para não procurarmos a felicidade, quando sabemos onde ela está.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Dá trabalho, dá.

Não querer ouvir, não querer saber, não querer falar;
Falar, falar, falar, sem ouvir;
Ouvir, ouvir, ouvir, e engolir tudo sem falar;
Ouvir e falar.

Aconselho a última.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Dez Mil

Já não pode ser um acaso.
Obrigada :)

Olha que Ele castiga...

Depois de ler esta notícia sobre Falcão, e dos rumores de que seguiria para O FC Porto, vieram à cabeça duas palavras que me fizeram sorrir, daquelas que me vão fazer ir parar ao Inferno quando morrer, tamanha a maldade do mesmo:
Tomislav Sokota.

Break a leg, Falcão.
Literally.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

domingo, 5 de julho de 2009

Ser bom e ser bonzinho

Estava a ver um filme hoje de tarde em que ela lhe diz:
"You're too kind for your own good"
e lembrei-me duma expressão que uma amiga minha usou num jantar aqui há dias que foi:
"ele é um querido, coitadinho!".

E é assim, doce demais enjoa e simpatia a mais prejudica (-nos).

terça-feira, 30 de junho de 2009

Encaixes

Eu decoro caras com toda a facilidade. Assim que vejo alguém com quem sei que já estive, matuto, matuto, e chego ao sítio onde o conheci com relativa facilidade; porém, o mesmo não acontece com o nome da pessoa.
Lembro-me de uma vez, na sala de aula, no 12º ano, quando ía chamar uma amiga que o era desde o 10º e saiu apenas: "Oh...", fica ela espantada e eu vou outra vez "Oh...", e nisto já ela se ria e eu felizmente lembrei-me "Oh Sara, desculpa, mas isto acontece-me frequentemente..."
Esquecer-se do nome de alguém ou confundi-lo com outro é muitíssimo mau. Pior quando se está a apresentar uma pessoa:
- Olha este aqui é o Serginho!
"Jorginho"
- Diz, Serginho...?
"Jorginho!"
As pessoas que nunca confundem nomes não entendem, e as que confundem ou se esquecem entendem perfeitamente, mas têm medo que quando lhes acontece estejam perante as primeiras, isto é, já me aconteceu alguém com a mesma "característica incorporada de série" ter ficado melindrado consigo mesmo por ter confundido o meu nome - e eu na boa.
O encaixe entre feitios faz-se sobretudo no tratamento destas pequenas coisas, que o povo diz, e com razão, que "não são defeito - são feitio". São características especiais e latentes, intrínsecas e imutáveis. É-me fácil entender e aceitar que me confundam o nome, porque a mim também acontece. Transposto para muitas outras particularidades do dia-a-dia, é-nos fácil juntarmo-nos, para o bem e para o mal, mas mais para o mal, com pessoas semelhantes.
Todos nós conhecemos exemplos assim: o homem ciumento que antes era tratado como homem ciumento, juntou-se à mulher ciumenta, e agora todos se referem a eles como o "casal ciumento"; o sovina e a sovina juntaram-se, agora são "os sovinas"; "juntou-se a fome com a vontade de comer", usando mais uma vez um ditado popular.
Não menosprezando os casais que assim são felizes, julgo que esta situação os faz acomodar um pouco: as almas gémeas não são mais do que isso mesmo - almas gémeas. Nelas vemo-nos como que a nós próprios, limitando à partida novas perspectivas ou capacidades de adaptação a elas - porque não precisamos.
Os casais que dão nas vistas, e que são admirados, nos quais parece que as coisas batem naturalmente certo, têm, na minha opinião, esta coisa em comum: mais do que defeitos (ou feitios na má acepção da palavra) coincidentes, têm qualidades (ou feitios na boa acepção da palavra) em comum. Essas qualidades permitem-lhes tolerar a parte má do feitio da outra parte, que muitas vezes eles não entendem por simplesmente "não serem assim". Permite-lhes aceitar que a outra parte da relação também tem direito a ter as suas "taras e manias" - como diria Marco Paulo - e conviver com elas, mesmo que muito diferentes das deles; mais: a achar-lhes piada, até.
Os casais que o são verdadeiramente não precisam de encaixar, mas sim de se completar; não precisam de ter feitios coincidentes ao pormenor, precisam sim de sentir-se bem, de conviver bem com o feitio do outro; os casais que o são verdadeiramente, ao olhar-se nos olhos, têm nas cabeças de cada um dos seus elementos um pensamento recorrente: "não sei como me aturas tu, mas ainda bem que o fazes."

segunda-feira, 29 de junho de 2009

"A Raposa e as Uvas", por La Fontaine

Raposa matreira foi pôr-se
debaixo d'erguida parreira,
Cos olhos num cacho
Das uvas mais belas,
Contando com elas;

Armou-lhes três pulos,
Porém autos nulos,
Que não lhes chegou:
De novo saltou,
Mas teve igual sorte;

Buscando outro norte,
Num ar de desdém,
Torcendo o nariz,
Com gestos de quem
Por más não as quis,
Foi pernas metendo
Com lépido passo,
E disse entendendo,
Qu'as outras a ouviam:

"Estão em agraço,
Nem cães as comiam."

Há muitos humanos
Que seguem tais planos,
Por coisas se empenham
Que sôfregos querem,
E delas desdenham
Se não lhas conferem.

(li uma versão desta fábula em que a parreira das uvas era assolada por uma rajada de vento, e a raposa ainda olhava para trás para ver se ela de facto tinha caído, mostrando continuar interessada nelas; noutra a parreira caía mesmo, mas a raposa não voltou atrás para não dar o braço a torcer e ir comer do que tinha desdenhado antes; noutra ainda, chegou a prová-las, a comê-las e a queixar-se de que de facto, estavam mesmo verdes, quando isso era claramente mentira.
Há muitas raposas por aí, parece-me.)

sábado, 27 de junho de 2009

Chatice das Efemérides

A irmã Lúcia morreu a 13 de Fevereiro de 2005, e o Mickael Jackson a 25 de Junho de 2009.
Agora sempre que eu fizer anos vai fazer anos que ela morreu, e sempre que o pai fizer anos vai fazer anos que ele morreu.
Imaginem o que é nascer a 13 de Maio em Portugal, a 11 de Março em Espanha ou a 11 de Setembro nos EUA... é dia em que não podemos ver as notícias para não estragar a festa.

Desculpas para ver os Transformers

Ver aqui, e aqui.
E os Linkin Park na banda sonora, claro.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

This really was it



O título tem directamente a ver com o lema de divulgação da tournée que Mickael Jackson estava prestes a fazer em Londres: "This is it".
Parecia adivinhar: "era desta". Era desta que se ia despedir dos fãs, só ninguém pensava que este título fosse encaixar tão bem na conferência de imprensa que estava a dar - a sua última. Há coisas macabras, não há?

terça-feira, 23 de junho de 2009

A verdadeira arte

Aproveitando esta onda de reconhecimento aos artistas, chamo a atenção para aquilo que é comum a um artista, e que é provocar a reacção de espanto que se demonstra não importa como, desde um sorriso, lágrima ou aplauso, até a um impropério na altura certa.
Ponham o som no máximo.



É mesmo.