terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Não ter paciência

Trrrriiimmmm; Trrrriiiimmmm;
Ela atende e diz:
Tava aqui a comprar a prenda, mas são seijeuros.
(Esta é a parte onde eu paro e olho para ela)
Sim, são seijeuros, compramos ou não?
(E eu a pensar por favor fala baixo e diz seis euros. Seis. Euros.)
Está bem, prontos, então a gente não compra.
(Prontos, desisti aqui)


É ísso e dizer quinhentochinquenta.
Irrita-me.

Palhaço, só?

Alguém que dê um murro ao Pedro Henriques por mim, por favor. Aquele senhor que tirou dois pontos ao Benfica hoje.
Nos olhos.

Agradecido.

Timing

Fatalmente, todos vamos ter momentos maus. Acontece mais ou menos, mas acontece sempre.
Na minha opinião, um líder não é a pessoa que menos tem momentos maus, mas sim aquela que, tendo-os o menos possível, consegue controlar-se de maneira a ser forte quando toda a gente à volta está mal para se permitir ser mais fraca quando todos estão bem.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

True

"It's ok not to be fine sometimes"

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

A memória

Estava hoje a olhar para a minha bisavó quando me apercebi que a memória tem todo um alcance temporal que eu desconhecia: a memória não serve só para nos retribuir do passado, do que fizemos e dissemos com tudo o que de bom e de mau isso possa trazer; mais que isso, permite-nos preparar um futuro onde desgraçadamente nos vai faltar algo do que temos hoje e que, por isso mesmo, lá guardamos.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Is somebody out there?

Não é a falar de OVNIs, não. É mesmo de vocês.
Começo a pensar que se calhar o free hit counter lá em baixo está a inventar visitas para me deixar contentinho. Digam pouco, digam mal, digam o que quiserem, mas digam, porra :P

Condição necessária mas não suficiente

Os cães ladram. Eu ladro. Eu sou cão?
Claro que não sou.
Pode parecer que a dedução é estúpida, mas se calhar se estivermos a falar de outras coisas que não cães podemos cair nelas facilmente. Neste caso, qual é a falha?
Ser cão não é equivalente a ladrar. E pensam vocês "mas que raio, todos os cães ladram!"
Certo. Ser cão implica ladrar, mas ladrar não implica ser cão, e portanto as coisas não são equivalentes - para o serem, a correspondência teria de funcionar nos dois sentidos. Há, na verdade, quem consiga ladrar sem ser cão (eu, no exemplo).
Querem outro? Concordar implica não discordar, mas não discordar não significa concordar. Na verdade, podemos não tomar posição nenhuma ou manter uma opinião neutra, pelo que não discordamos sem concordarmos.
Para ser cão tem de se ladrar, mas isso não basta, porque há mais quem ladre. Ladrar é condição necessária mas não suficiente para se ser cão. Todo o homem é mamífero, mas nem todo o mamífero é homem: ser homem implica ser mamífero, o contrário não se passa; ser mamífero é condição necessária mas não suficiente para se ser homem.
Serve tudo isto para explicar à minha mãe que nem sempre quando eu digo que a comida não está tão boa como habitualmente equivale a dizer que está má; que nem sempre estar ao computador equivale a jogar FM; que nem sempre estar com os amigos no café equivale a beber minis como se não houvesse amanhã; serve para explicar à minha gaja que nem sempre dizer que outra miúda é bonita equivale a estar atraído por ela, que nem sempre dizer que o outro penteado lhe ficava melhor equivale a dizer que está feia, ou que nem sempre que se diz que ela não agiu da melhor forma queira dizer que tenha agido mal; serve para explicar ao meu banco que nem sempre gastar muito dinheiro equivale a gastar mal o dinheiro; serve para explicar às pessoas que nem sempre o que parece, é, e que ninguém está livre de deduzir coisas erradas por muito que se explique o contrário.
Serve para explicar a maior desilusão que encontrei no mundo desde que deixei de ser criança: sabermo-nos explicar bem é condição necessária mas não suficiente para sermos bem entendidos.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Clicar no link, sff (II)

Se um dia um filho me perguntar:
"Oh pai, o que é ser do Benfica?"
Eu vou responder-lhe: lê isto

(tentem só não chorar, e vão ver que é impossível)

O milagre da Natureza

Gosto muito de quando há algo que despoleta o querer abordar de um assunto em mim. De escrever não apenas porque me lembrei mas porque houve algo que me lembrasse.
Estava eu no Sábado à noite num bar, num grupo grande de amigos
- mas vá-se lá saber porquê, costuma acontecer quando mais ninguém vê -
quando, como a sede apertasse, me lembro de ir ao balcão pedir um fino.
Podíamos estar aqui a discutir se um fino de euro e meio pode ser servido em copo de plástico, mas não adiantava nada. Como o balcão era pequeno e eu sou um gentleman
- já agora, em modéstia sou um verdadeiro campeão -
decidi não andar feito boi às marradas às pessoas para tentar ter o dito fino 30 segundos antes do que se tivesse estado sossegado na minha vez.
Decidiu o divino compensar-me com tamanha gentileza. Não fosse o meu nobre acto, não teria assistido ao que se seguiu e que influenciou toda a feitura deste texto.
Ao chegar próximo do balcão, foi impossível não reparar numa rapariga - dos seus quê, 28/30 anos? - que já lá estava encostada, e que esperava também a sua vez. Naquela metade do balcão eu acabava por estar a seguir a ela, e depois de toda a gente. Não tardou que fosse atendida: pediu duas bebidas brancas traçadas com sumo, que o atarefado barman demorou uns segundos a preparar. Neste entretanto entre ter pedido e receber, junta-se-lhe uma amiga mais velha, e estabelece-se uma conversa curta entre elas que eu não entendo, por culpa da música. Percebi, apesar de tudo, que devia ser do género
- "Pediste para mim?"
- "Pedi".
Não enganemos ninguém: eram as duas bastante atraentes. E o bastante é um eufemismo.
Para além do impacto físico, parecia-me (e eu tenho bastante jeito para topar estas coisas) que havia ali uma... uma "aura" interessante com elas (com cada uma por si, e com as duas ao mesmo tempo, salvo seja).
Vai na volta eu devo ter estado de olhar perdido pelo bar a pensar nisto, enquanto de vez em quando as mirava, absorto num misto de "ora aí estão duas amigas interessantes", "as mulheres vão acabar por dominar o mundo" e "nunca mais peço o fino, porra!". A amiga mais velha deve ter achado piada ao conjunto de pensamentos que ela descortinou em mim, principalmente aos dois primeiros. Porque eu sou assim, quando eu faço uma cara toda a gente me lê e quanto mais eu tento disfarçar, pior.
A amiga mais nova, a primeira, estendeu uma nota para pagar as duas bebidas. A mais velha sorri para ela, confiante e matreira, olha de soslaio para mim
- ainda hoje não sei se propositadamente provocante ou apenas por reflexo -
e ambas dão um beijo na boca, só de lábios, e sorriem de orelha a orelha, desta vez ambas, a seguir, para por fim vir o troco
(ainda pensei não pôr o verbo vir aqui, por razões óbvias).
Tive impressão que estava toda a gente distraída e mais ninguém reparou. Pelo menos, não na cena desde o início, como eu.
Devo dizer que nunca foi fantasia minha estar com 2 mulheres ao mesmo tempo. Há demasiados perigos: que elas se zanguem para ver qual tem mais de mim que a outra (embora eu jurasse compensar na próxima); que isto não chegue para as duas e elas se safem sem mim; e pior, que mesmo que isto chegasse para as duas elas se safassem sem mim. Para além disto, quando uma mulher é completa as demais só atrapalham (no que à cama diz respeito), e por último, quem precisa de duas cabecinhas a arranjarem ciúmes e problemas quando se pode aturar só uma?
Posto isto, devo também dizer que as percebo perfeitamente. Apesar duma amiga minha me relembrar que se eu fosse mulher não saberia o que perdia em não o fazer com um homem, eu continuo a achar que mesmo que não fosse homem não deixaria de gostar de mulheres: seria lésbica, sem a menor dúvida. Mais a mais, entendo que a atitude até pudesse existir só para ter o seu quê de provocatório e me testar a reacção.
Portanto, o que me atraiu na cena não foi o beijo em si, mas o que quis confirmar: penso para com os meus botões que o verdadeiro milagre da Natureza é as mulheres, apesar de tudo, precisarem de nós. E mesmo que não precisem de alguns de nós, a maior parte delas ainda estão convencidas que sim (estão a ver a dimensão do milagre?).
É um milagre que elas, tão inteligentes que são, ainda confessem umas às outras tanta coisa que são - o que são elas e o que são as outras, nem sempre nos termos mais respeitadores.
É um milagre que ainda se vejam mulheres sofrer horrores por homens que, para além de serem homens (blargh!), ainda são dos piores (que falta de gosto terrível!).
É um milagre que nós sejamos em geral mais simples e mais leais para com o nosso próprio sexo. Que algumas delas saibam disso e consigam ser connosco no feitio - acabando por ter sempre mais amigos homens que mulheres, para inveja alheia - sem perder a feminilidade.
Mesmo tendo em conta a importância do homem como factor atenuador dos impactos das mulheres no mundo, e como um complemento a elas - para que este mundo não fosse um galinheiro pegado -, é um milagre que um sexo que tem as capacidades potenciais para dominar o outro em quase todos os aspectos não se una, e se incapacite entrando em conflito em si mesmo: fossem sempre todas as mulheres como aquelas duas amigas do bar o foram naquele momento, e todos os homens estariam arruinados.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

"Palhaço, palhaço, palhaço!"

Qual a melhor coisa coisa que se pode fazer quando o Benfica vai marcar um golo?
Parar a jogada (e impedir que o golo se marque!) que anteriormente deixámos seguir precisamente porque era um lance de golo eminente, marcar a falta à qual fizemos vista grossa, e não expulsar o meco que a fez - que por acaso já tinha amarelo. E para completar? A cereja no topo do bolo: expulsá-lo mais tarde, num lance que não tinha nada a ver.

Tecnologia? Qual tecnologia? Câmaras na balizas? Sensores nas bolas? Foras-de-jogo tirados a milímetro?
Quando a ciência conseguir aumentar QIs, dum valor residual para um razoavelmente aceitável, eu passo a acreditar na arbitragem em Portugal.

domingo, 30 de novembro de 2008

Clicar no link, sff

Se um dia um filho me perguntar:
"oh pai, o que é ser ridículo?"
Eu vou responder:
"Filho, o melhor exemplo é de quando ainda não eras nascido. Uma vez, num Sporting-Barcelona..."

Contra-producente

Não sei se haverá alguma explicação científica para isto, mas muitas vezes a melhor maneira de conseguir algo é não fazendo nada de especial para que isso aconteça.
Os antigos dizem coisas que vão neste sentido: quem muito escolhe, pouco acerta; quem tudo quer, tudo perde; e outros que tais.
Até que ponto uma pessoa que nada faz para parecer interessante se o torna? Até que ponto alguém que tenta agradar aos outros acaba por repugná-los? Até que ponto a melhor maneira de aconselhar uma pessoa a não fazer algo é dizer "anda, isso, faz isso e depois vês! Mas faz, a sério!"
Até que ponto a melhor maneira de se ser primeiro é não estar preocupado em sê-lo?
Até que ponto a melhor maneira de acompanhar uma pessoa é deixá-la estar à vontade?

Até que ponto a melhor maneira de ter certezas é não as ter?

Quando é?

Neste filme, discutia-se este assunto: se se pudesse saber a data em que morreríamos, escolhíamos saber?
Se bem me lembro, lá dizia que, segundo um inquérito feito, a maior parte das pessoas escolheria a resposta sim. A própria personagem interpretada por Morgan Freeman - um negro que apesar de trabalhar numa oficina de automóveis era extremamente culto - admite que teria respondido sim a essa pergunta, caso tivesse sido inquirido.
O filme explora a diferença de opinião dele agora que sabe: diagnosticado com uma doença terminal, essa data passa a existir verdadeiramente e ele compreende que o melhor mesmo é não se saber.
Já antes eu tinha pensado sobre isso; quando fui ao cinema vê-lo, logo que a pergunta foi posta a primeira vez eu pensei "não". Não, não quero saber, e acho óptimo não se saber. Se já sem saber temos medo, depois teríamos muito mais. E mesmo que faltasse muito tempo, tínhamos muito mais noção do quão depressa ele tinha passado até então.
Tudo isto terá talvez a ver com a minha maneira de ser em relação a quase tudo. Primeiro que aconteça, e depois se verá: sofrer por antecipação é errado; sofrer por antecipação uma vida inteira seria atroz.

sábado, 22 de novembro de 2008

Diga, diga?

"Se a vida te der limões, faz [a melhor] limonada [que conseguires]"
"A paciência e a sabedoria andam de mãos dadas"
"Quando não souberes como agradecer, retribui"
"A prática faz a perfeição"
"Aprende com os erros dos outros - não vais ter tempo de os cometer a todos"
"Quando um não quer, dois não dançam!"
"O amor é cego (e surdo e, provavelmente, estúpido)"
"If it wasn't the bitter, the sweet wouldn't be so sweet"
"Os homens querem mulheres bonitas. As mulheres querem os homens... que tenham tido mulheres bonitas."
"As pessoas não são perfeitas. As coisas acontecem, pelas razões mais parvas. Não é isso que nos define, mas sim o que fazemos depois, o que fazemos com o que fizemos"
by Rodrigo Guedes de Carvalho
"A nossa vida não é o que aconteceu, mas o que recordamos e como recordamos" by Gabriel Garcia Marquez
"Nem Deus, que é Deus, agrada a todos"
"Normalmente, quando alguém te pede opinião sobre o que fazer, é porque já decidiu"
"People want the truth but never want the scars"
"An eye for an eye makes the whole world blind" por Gandhi, e por sugestão de Miosotis



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toda e qualquer actualização futura será acrescentada a negrito
aceitam-se sugestões

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Football Manager 2009

Já cá mora.

Só queria uma nota de 5 euros por hora da minha vida que passei a estudar tácticas e estratégias para na 5ª, 6ª época pôr o Benfica como o melhor clube do mundo, desde o Championship Manager 98/99.
Posso dizer que já tenho mais tempo de vida a jogar isto que sem jogar, embora agora o vício esteja muito controlado.
E todos os anos é assim, por volta desta altura: o frenesim para ver quem arranja primeiro.
Vou instalá-lo ;)

Giram em círculo

Tudo o que surge precisa de um contexto
Porque nada do que passou é grave
Se alguém agora deu a volta ao guião
E arranjou um mal de verdade.

Tudo o que vem é relativo ao que veio
Porque nada do que passou é óptimo
Se não for melhor que o nosso bom,
O que queríamos em fim último;

Dentro do espectro gira todo o sentimento.
Quanto mais largo este é, mais fica forte.
E mesmo que o alargar doa naquele momento
Viver com ele encolhido é prenúncio de morte.

O que é novo foge então para esse espectro
Onde se hierarquiza a vida, sentida aos repentes;
A amplitude do que és vem do que viveste
O que tem de facto importância depende do que sentes.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

O elogio fúnebre

De vez em quando há coincidências tão grandes, há situações tão esclarecedoras, há dias que me demonstram tanto que aquilo que fazemos em vida pagamos em vida e que todos mais tarde ou mais cedo vamos ter o que merecemos, que quase me sinto feliz só por acreditar nisto.
Há muito que andava para falar neste assunto, mas fruto das tais coincidências inexplicáveis tinha vindo a adiar sucessivamente.
Não sei se acontece noutros países, mas neste é típico.
Morre alguém que se sabe que toda a gente detesta, mas aparece quase sempre alguém - que quando em vida dizia e acontecia do agora defunto - que vem com falinhas mansas a dizer
"coitado, lá no fundo não era mau tipo..."
Devo dizer, custe o que custar, que há males que vêm por bem. Que demoro muito até não gostar de alguém, mas que depois que não goste, é quase impossível fazer-me mudar de ideias. Que nisso sou radical e admito-o: se morre alguém de quem eu não gosto nada nada - e se calhar aconteceu uma, no máximo duas vezes na minha vida - a mim é coisa que me apraz registar.
Sou gajo para ir ao funeral só para ver se os 7 palmos de terra lhe caem bem em cima e se ele não se levanta no último momento a rir-se e a dizer "enganei-vos, hã?", e para ir beber um copo com os amigos a seguir. Sou gajo para pensar que assim é que ele está bem.
Peço desculpa, mas não consigo ser menos sincero.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Canta que se farta



É como ver 5 filmes em VHS ao mesmo tempo, e percebê-los a todos.
Genial.

Diga, diga?

"Se a vida te der limões, faz [a melhor] limonada [que conseguires]"
"A paciência e a sabedoria andam de mãos dadas"
"Quando não souberes como agradecer, retribui"
"A prática faz a perfeição"
"Aprende com os erros dos outros - não vais ter tempo de os cometer a todos"
"Quando um não quer, dois não dançam!"
"O amor é cego (e surdo e, provavelmente, estúpido)"
"If it wasn't the bitter, the sweet wouldn't be so sweet"
"Os homens querem mulheres bonitas. As mulheres querem os homens... que tenham tido mulheres bonitas."
"As pessoas não são perfeitas. As coisas acontecem, pelas razões mais parvas. Não é isso que nos define, mas sim o que fazemos depois, o que fazemos com o que fizemos"
by Rodrigo Guedes de Carvalho
"A nossa vida não é o que aconteceu, mas o que recordamos e como recordamos" by Gabriel Garcia Marquez
"Nem Deus, que é Deus, agrada a todos"
"Normalmente, quando alguém te pede opinião sobre o que fazer, é porque já decidiu"
"People want the truth but never want the scars", por sugestão da rapariga das laranjas



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toda e qualquer actualização futura será acrescentada a negrito
aceitam-se sugestões

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

A curiosidade

Há uma série de cursos que julgo poder ter frequentado, não fosse a minha pancada por economia, empresas e pessoas. Muito mais que isso, há uma série de lições que aprendemos no meu (assim como acredito que se aprendam nos outros supracitados), que toda a gente devia saber.
Assim como assim, só depende de nós. Podemos não ter um pai advogado, uma mãe médica, um avô serralheiro ou um tio contabilista: isso não nos impede de pesquisar e saber mais sobre um assunto de interesse.
Muitas das vezes, o conhecimento chega até nós sem querermos: numa revista de cabeleireiro, numa conversa informal, numa matéria que parecia que nem tinha nada a ver e afinal... olha!
O que fazemos com a informação que adquirimos ninguém sabe. Se tomamos opinião, se tecemos considerações ou se reflectimos sem falar com ninguém e com aquele ar de "queres lá ver que eu estive enganado este tempo todo?"
Ou se a espalhamos.
O factor preponderante para a aquisição de conhecimento é a curiosidade.
A ideia que tenho é que a curiosidade está muito menosprezada hoje em dia. De facto, querer saber é feio, tem-se como adquirido. É metediço. Enerva, incomoda.
Querer saber mais, mesmo se em sítios onde é suposto isso acontecer, é apontado como diferente.
Responder a perguntas pessoais é uma fraqueza: os segredos que se descobrem, as loucuras que ninguém faz, ou fez, e a resposta - "EU? Deus me livre!" - na ponta da língua. Mais uma vez, nunca se sabe quem vai formar opinião, tecer considerações ou reflectir sem falar com ninguém.
Ou espalhar.
Dá medo, sim, mas é assim que vamos aprendendo sem ter de cair em todas. É assim que dizemos "sei de um caso em que não foi tão linear..." e tomamos novos pontos de vista. A curiosidade dá-nos uma segurança maior não só no que já sabemos mas também no que teremos de aprender.
Em livros, claro, mas em casamentos e divórcios, filhos e enteados, amores e ódios, perdões e vinganças, compromissos ou faltas à palavra, e que nos serve para bem mais que eles.
E há um aspecto delicioso em quem é curioso por natureza: muitas vezes nem precisamos de fazer as perguntas, as respostas vêm imediatamente ter connosco.

Efeitos secundários

Isto dos problemas respiratórios é tudo muito bonito. São comprimidos, são gotas, são bombas, etc, etc... sempre várias porque uma só não vale a pena.
Diz que.
A questão é esta: efeitos secundários! Sonolência, cansaço, e uma fome de morte (para além do que engordam por si), deste mundo e do outro. Pelo menos comigo, funciona assim.
E se há coisa que me irrita é dormir quase 11 horas duas ou três noites seguidas e mesmo assim acordar cheio de sono.
Honestamente, prefiro andar de nariz entupido e a ranhosar (se não existe passa a existir) o dia inteiro.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Ter pena e lamentar

Há uns meses atrás uma amiga dizia-me que o pior sentimento que se podia ter por alguém era ter pena dessa pessoa. Fiquei a pensar no que quis dizer, e julgo que percebi.
Ocorreu-me após esta conversa que ter pena e lamentar poderiam não ser bem a mesma coisa, ou melhor, poderiam não ser bem a mesma coisa para todas as pessoas, apesar de serem sinónimos no dicionário.
Um lamento pode ser uma queixa ou um pesar que se carrega. "Lamento que não-sei-quem tenha falecido", por exemplo. Lamentar significa ter pena, sim, mas numa posição mais distante (quanto a mim) do que o ter pena. "Tenho pena que não-sei-quem tenha falecido" parece-me mais profundo, mais compadecido, mais sofrido, ok.
Mas, muitas vezes, e noutros exemplos, mais culpado. E como?
Pena é também usado para definir um castigo ou punição: pena de prisão, por exemplo. Uma pena é aplicada a quem agiu mal, a quem cometeu um crime - ou a quem não agiu quando o devia ter feito - e é aqui que eu quero chegar.
A diferença entre ter pena e lamentar não está só no grau de compaixão para com o sofrimento alheio, mas também na consciência do que fizemos para o evitar: desta forma, uma pessoa que tenha feito, ao seu alcance, o que devia para evitar determinada situação estará (ou devia estar!) mais tranquila em relação à sua acção e lamentar - repare-se, lamentar apenas - que as coisas não tivessem corrido como esperava.
Neste sentido, lamentar é constatar um desagrado, um sentimento negativo, sem contudo nos penalizarmos ou penalizarmos a pessoa à qual dirigimos o nosso lamento; também ela não teve culpa que o seu familiar tenha falecido, usando o exemplo acima. E também sob este ponto de vista, ter pena é pejorativo, é olhar e sentir um desconforto inquieto, uma sensação de que algo mais podia ser feito para melhorar, um incómodo por ver um sofrimento evitável. Ter pena é mais mesquinho, é mais punitivo. "Tenho pena que assim seja!", "temos pena, paciência", é, em algumas situações, elevar o coitadinho e a suposta vítima a um pedestal onde ele próprio quer ser levado, imerecidamente, julgando que nada mais há a fazer que atirar a toalha ao chão.
Quem tem pena de si não percebe por que não melhora; e os outros apenas lamentam esse facto.

(Gosto de ter amigas inteligentes e sensíveis)

Carlos do Carmo - O Homem das Castanhas

O homem das castanhas - Carlos do Carmo

É delicioso.
Lembrei-me disto enquanto hoje comia castanhas no magusto da faculdade.
"Vamos embora Paulo, anda, anda..."
Castanhas e jeropiga, é coisa que só aparece novo nesta época do ano, e curiosamente é quando sabem melhor. Imaginam-se a comer castanhas com o mesmo gosto noutra altura do ano?

Ai ai. Nada nesta vida é por acaso.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

The Script - The Man Who Can't Be Moved

The Man Who Cant Be Moved - The Script



Going back to the corner where I first saw you,
Gonna camp in my sleeping bag I'm not gonna move,
Got some words on cardboard got your picture in my hand,
Saying if you see this girl can you tell her where I am,
Some try to hand me money they don't understand,
I'm not...broke I'm just a broken hearted man,
I know it makes no sense, but what else can I do,
How can I move on when I'm still in love with you...

Cos if one day you wake up and find that you're missing me,
And your heart starts to wonder where on this earth I can be,
Thinking maybe you'll come back here to the place that we'd meet,
And you'd see me waiting for you on the corner of the street.

So I'm not moving...
I'm not moving.

Policeman says son you can't stay here,
I said there's someone I'm waiting for if it's a day, a month, a year,
Gotta stand my ground even if it rains or snows,
If she changes her mind this is the first place she will go.

Cos if one day you wake up and find that you're missing me,
And your heart starts to wonder where on this earth I can be,
Thinking maybe you'll come back here to the place that we'd meet,
And you'd see me waiting for you on the corner of the street.

So I'm not moving...
I'm not moving.

I'm not moving...
I'm not moving.

People talk about the guy
Who's waiting on a girl...
Oohoohwoo
There are no holes in his shoes
But a big hole in his world...
Hmmmm

and maybe I'll get famous as man who can't be moved,
And maybe you won't mean to but you'll see me on the news,
And you'll come running to the corner...
Cos you'll know it's just for you

I'm the man who can't be moved
I'm the man who can't be moved...

Cos if one day you wake up and find that you're missing me,
And your heart starts to wonder where on this earth I can be,
Thinking maybe you'll come back here to the place that we'd meet,
And you'd see me waiting for you on the corner of the street.
[Repeat in background]

So I'm not moving...
I'm not moving.

I'm not moving...
I'm not moving.

Going back to the corner where I first saw you,
Gonna camp in my sleeping bag not I'm not gonna move.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Já explicaram

Parece que o meco do Glock estava com pneus secos.
Tivesse ido à boxe e perderia mais lugares.

É para o ano, Massa!

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Fórmula QUÊ?

Por favor alguém me explique como é isto possível, e me diga que a FIA vai investigá-lo.


Ben-u-ron?

Vi agora uma publicidade à Mebocaína na TV: diz que em casa da Albertina há sempre Mebocaína.

Pergunto-me sobre os efeitos adversos em termos de marketing se por acaso a senhora da casa se chamasse Camila.
Enfim...
Podiam ter não ter ído por aí; usavam o local onde se encontravam, por exemplo.
"Aqui no Mindêlo, o que há sempre é..."

Pensando bem, Albertina está óptimo.

Blargh

Tenho duas moscas a copular na minha perna.
Perdão, uma mosca e um mosco.
Assim espero, pelo menos.

sábado, 1 de novembro de 2008

O Professor Jesualdo

Nunca gostei dele.
Chamem-me o que quiserem, mas eu sou de ideias fixas... até me demonstrarem o contrário. E neste caso, não só não me demonstram o contrário - porque não conseguem - como só me dão mais razão.
Quando estava no Benfica era adjunto de Toni. As coisas correram mal e o Toni percebeu que o trabalho realizado não estava a corresponder - despediu-se. O Jesualdo foi? Não!
Ficou, a orientar a equipa com o fulgor habitual: "estamos a ganhar? ah... estamos a perder? ah..." e ficava pregado no banco a fumar o seu cigarro - já agora, um belo exemplo.
Ficou e tinha uma cunha tão grande que quando para lá foi o Mourinho quiseram impingir-lho como adjunto - acabou por ser o Mozer, lembram-se? - mas esse facto viria a trazer divergências irreconciliáveis com Manuel Vilarinho.
Foi para o Braga onde fez um "bom" trabalho, reconhecido pela crítica. Terá sido? Com uma equipa cheia de talento - quem aparte os 3 grandes tinha os melhores plantéis da liga? - e, à vez, melhor que Sporting e Benfica, dependendo dos anos, o Braga ficava -se pelo que se lhe era esperado, e raramente melhor.
Lembro-me depois do que diziam os adeptos do Boavista: "um senhor como o Jesualdo, ir agora, a meio da pré-época para o Porto? Ai, não acredito que ele faça isso!"
Pois não (assobio irónico).
Foi, e foi campeão no Porto. Comentários, Jesualdo?
"Até eu consigo ser campeão pelo FCPorto!". E eu a pensar "eh lá, queres ver que deu ao homem um assomo de humildade e de verdade?" Mal deu tempo para pensar em algo mais - na tradição de lhe atirarem o gelo para cima, como na NFL - ele reage com um chorrilho de asneiras dignas de serem ditas para a dúzia de microfones em directo à frente dele.
Jesualdo evoluiu na sua postura: agora fuma menos, e não aquece tanto o banco - cá para mim, quer dar a ideia de que está a ler melhor o jogo assim. Pura mentira.
Contra o Dínamo a equipa precisava de jogo nos flancos. O que faz ele? Tira o Rodríguez e o Mariano e põe um avançado e um médio centro... a jogar a extremos. Nem sei como não pôs o Candeias (mas isto sou eu a ser mauzinho).
Antes disso, em Londres, contra o Arsenal, o Jesualdo, fruto do seu grande talento de prospecção de mercado, entra em campo com as mais recentes estrelas da constelação FCP; repare-se, vai jogar em Londres contra o Arsenal:
muda o esquema? não, que isso é para meninos; e depois, dos 7 jogadores mais recuados da equipa 5 deles eram estes: Helton, Sapunaru, Benítez, Rolando e Fernando.
Estou a imaginar a cara do Bruno Alves e do Meireles a perguntarem-se: "que mal fiz eu para merecer isto?"
Levaram 4, podiam ter sido 7 (teria sido um dos dias mais felizes da minha vida) ou 8 ou 9. Mas o que vem o professor dizer após o baile de bola? "Se tivéssemos marcado primeiro o jogo teria sido completamente diferente!"
Caro professor, se a minha avó tivesse rodas era uma camioneta da carreira. Mas não tem. Percebeu?
Esta semana abre o livro. Se pensávamos que o Porto não ganhava porque o treinador era péssimo, estamos redondamente enganados - são os postes!
Ah, esses camandros que se desviam mesmo mesmo quando o pessoal vai a rematar! Afinal é isso... ou não?
Hoje perdeu com a Naval fora: 3ª derrota consecutiva, para gáudio na assistência cá em casa. Mais uma vez abre o livro: "podíamos ter marcado primeiro"
- ...oh Jesualdo porra, já disseste isso da outra vez -
"e fomos infelizes na finalização porque tivemos imensas oportunidades de golo para marcar".
Confesso que o homem me confunde. Tiveram? Eu a rever mentalmente o jogo - foram assim tantas? - e ele atira "e depois sofremos mais um daqueles golos esquisitos como temos vindo a sofrer..."
Como?
Golo esquisito?
O homem finta o seu defesa direito, entra pela área, atira colocadíssimo entre o poste e o Guarda-Redes e festeja. Estranhíssimo é o seu defesa ter parecido uma bailarina; estranhíssimo (se bem que legítimo) é que o Nuno se tenha saído antes da bola partir; estranhíssima é essa sua conversa de que o golo foi estranho - e não há mais nada de estranho aqui.
A não ser o facto de você ainda treinar equipas de futebol.
Mas não me interpretem mal! Deus nosso senhor o conserve à frente do comando técnico do Porto por muito, muito, muito tempo.
Bom trabalho, professor, como de costume, é o que se quer.

Conglomerados

Juntou-se a latada, o pó do parque, a cerveja do parque e as horas por descansar. Juntaram-se jantares à Benfica, durante e depois. Vieram os abusos que não costumam acontecer, as dores de estômago (ainda não foram embora), as dores no corpo e na cabeça (mais alguma coisa?).
E a actualização ao Windows Vista correu tão bem que o pc pendurou e devo gastar outra nota na loja de informática.
E a família? Vai bem, obrigada.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

As assobiadelas

Há dias estava eu num espaço público desta cidade, com vários amigos entretidos sabe Deus com quê, e eis senão quando entra no mesmo espaço - e vêm para o nosso lado, mas ligeiramente virados de frente, - um casal.
E que tem isto de mais? Ora bem, não era um casal qualquer... era um daqueles em que ela é a miúda bonita e jeitosa, altiva e de olhos rasgados, quase exótica, que passa e que fornece placagens mentais ao raciocínio dos membros do sexo masculino à volta; e ele o tónhó.
O tónhó, sim.
E eu que ah e tal, que não gosto de ser assim porque cada um é como é e eu não tenho nada que julgar, e o rapaz até pode ser bom noutras coisas - leia-se: cama - ou um gajo daqueles porreiros como não há mais e que a entendesse e aturasse como nenhum outro - e aqui, eu e um amigo (que magistralmente ter-me-á chamado a atenção para a pertinência da palavra "assobiadelas" para descrever proeminente parte do seu tronco) ponderámos que enfim, talvez fosse só ela que tivesse mau feitio e pronto.
Mas não parecia nada! Eu juro.
Dez minutos - nem isso - depois, num estalar de verniz já por si delicado, por ser um estalar de verniz, mas principalmente por ser em público, ela põe em causa o que ele aprendeu na escola primária (eufemismo aqui, viram?), todos nos apercebemos
- e armados em bem-educados fingimos que não, que não se passa nada -
e acaba pouco depois, com ele já sem responder, encolhido como que dizendo "eu já parei, pára tu também por favor" e retomando a tarefa anterior como se nada fosse.
E eu e um amigo meu, como que concordando em surdina - Raios, não parecia mesmo nada! - mudámos de opinião radicalmente: para que ele aturasse aquilo, a boa na cama só podia ser ela.
Só podia. Ou então, era muito tónhó :P

Mas quem raio...?

Há dois dias atrás acordei, e naqueles segundos em que estamos ainda mais para lá que para cá eu penso, ao olhar para o telemóvel:
20 de Outubro, esta data não me é estranha... quem é que fará anos hoje?
Com a sensação de que não me ía lembrar nos minutos seguintes, adoptei a postura do it will come to me.
De cada vez que escrevi a data tive aquela sensação estranha, como se fosse alguém importante do qual eu não devesse mesmo esquecer-me; e cheguei a fazer uma lista mental de todos os meus amigos e colegas que fazem anos por esta altura - sem sucesso.
Já tinha desistido do caso ("vou dizer que me esqueci e peço desculpa à pessoa") quando à noite vamos - quer dizer, vai a mãe e o resto da família acompanha - curar a vítima desafortunada dum acidente de mota no qual, segundo consta, "não viria sozinha" - boatos claramente especuladores de quem quer ver a reputação de tão prezada família na lama.
E neste instante, como que em família reunidos, a mãe diz:
"Sabem que dia é hoje?"
It came.
Era o dia dele.
E foi bom saber que mesmo que não se saiba o que é, há algo que continua cá.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

As coisas que se aprendem nos "Bacio"

Aqueles chocolates/bombons "Bacio" trazem uns papelinhos com frases dentro. À maior parte nem ligava, mas por acaso apanhei duas giras esta semana:
"Ama-me quando menos merecer, porque será quando mais precisarei."
"Aquele que quer ser amado, tem de tornar-se amável".

domingo, 12 de outubro de 2008

Las Vegas



Dá na Fox :)

sábado, 11 de outubro de 2008

A gota de água

Detesto perder o tom em público; torna-me frágil, irracional, sujeito a juízos consideravelmente errados e a ideias proeminentemente negativas. Há, de facto, quem mo consiga provocar... não seria a primeira vez que aconteceria.
Considero porém que tudo é uma questão de atitude: conflitos podem ser resolvidos de muitas formas, em muitos lugares, em vários ambientes e sobretudo, em tempos diferentes; a inteligência emocional manda que quando estejamos com os nervos em franja nos afastemos durante pelo menos 20 minutos daquilo que nos fez perder a paciência até a voltarmos a encarar. São demasiadas hormonas, químicos que nos fazem perder a cabeça e dizer coisas que são exageradas e que não sentimos.
A sobriedade e a nobreza de julgamento é algo que todos queremos manter, mas é impossível que não haja falhas e poucos de nós são aqueles que raramente erram neste aspecto. É uma capacidade que se adquire com anos de treino... e desde respirar fundo até contar até dez, vale tudo.
Desde que se mantenha o tom, e se resolva depois, quando apropriado.

Diga, diga?

"Se a vida te der limões, faz [a melhor] limonada [que conseguires]"
"A paciência e a sabedoria andam de mãos dadas"
"Quando não souberes como agradecer, retribui"
"A prática faz a perfeição"
"Aprende com os erros dos outros - não vais ter tempo de os cometer a todos"
"Quando um não quer, dois não dançam!"
"O amor é cego (e surdo e, provavelmente, estúpido)"
"If it wasn't the bitter, the sweet wouldn't be so sweet"
"Os homens querem mulheres bonitas. As mulheres querem os homens... que tenham tido mulheres bonitas."
"As pessoas não são perfeitas. As coisas acontecem, pelas razões mais parvas. Não é isso que nos define, mas sim o que fazemos depois, o que fazemos com o que fizemos"
by Rodrigo Guedes de Carvalho
"A nossa vida não é o que aconteceu, mas o que recordamos e como recordamos" by Gabriel Garcia Marquez
"Nem Deus, que é Deus, agrada a todos"


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toda e qualquer actualização futura será acrescentada a negrito
aceitam-se sugestões

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

As "Gajas Boas"

Só quem nunca teve (pelo menos) uma é que não sabe o que é (Quem de nós nunca teve 16 anos?).
É ela... giraça como nunca vimos, torneada como nunca experimentámos, que nos acha uma piada que nós
como é que é possível?, tenho imensa sorte!
e que nos faz experimentar coisas que nós pensávamos impossíveis.

Só quem já teve (pelo menos) uma é que sabe o que vai dentro daquelas cabeças (areia...?) - sim, porque as "gajas boas" a que me refiro são essas. Não são as mulheres elegantes que juntam a beleza à personalidade naquela maneira resplandecente de parecerem mais bonitas ainda, são as boas-boas-e-acabou. São aquelas que alguns gajos olham e dizem "EIA, tão boa!", a salivar no canto da boca com ar de rebarbado.
Esses senhores nunca tiveram nada daquilo. Porque o que eles julgam perfeito para uma noite se torna impossível de aturar mais do que isso; porque não aprenderam ainda que quem vê caras não vê corações - por mim falo quando digo que já me sacrifiquei demais por quem não merecia.
E digo-vos mais:
como é que é possível?, tenho imensa sorte: felizmente não vou morrer parvo, porque já as tive; "been there, done that". Tive-as, sim, é esse o termo. Até podem de fachada dizer alguma frases bonitas cujo significado desconhecem, mas para quem vai passar mais de uma noite - ou seja o que for - com elas não há truques possíveis.
E é por isso que hoje quando ouço "EIA, que gaja boa!" sorrio e me lembro que há muito mais para além disso... sem querer parecer esquisito, isso não chega. E aparte poder vir a apreciar uma mulher muito mais depois de a conhecer, e de eventualmente poder achar que sim, que ela tem potencial para me levar (e estamos a falar de ser comigo em vez de me ter apenas), quando a vejo eu digo:

Sim, pode ser bonita. Mas... e daí?

terça-feira, 7 de outubro de 2008

o GPS

Estava o velho na jornada diária sabe-se lá de que dezenas de metros - que lhe deviam custar como quilómetros (ou seria das rugas cravadas no rosto?) - quando interceptado por famílias em veículos consecutivos, e estranhando tal arraial
- Oh amigo, desculpe incomodar... o restaurante XPTO, é para aqui?
Apenas balbuciou indicações, com a certeza de quem tem mais anos de vida que mais alguém ali, como que dizendo:
"Bão bem, pôs. Aí im frente, bira a esquerda, é aqui pertinho de nós, 'tem nada que saber".
Nenhum arraial provocaria maior espanto no velho do que o aparelho que o carro líder do dito trazia: um GPS acabadinho de comprar, que nos tinha levado quase ao sítio certo - o caraças do velho foi preciso uns 300 metros antes do "parabéns! chegou ao seu destino!" com a bandeirinha do xadrez a iludir-nos e nós a acreditarmos que "epa, de tão longe e vim cá ter à primeira".
Muito diz ela antes do "chegou ao seu destino"!
"A setecentos... e... cinquenta... metros vire... à... direita". E eu já todo encostadinho a pensar "ena pá, de tão longe e vou lá dar à primeira" eis senão quando saio - de manhã, porque acordei cedo para ir ter com a rapariga, para aproveitar o dia, para ver se me calhava alguma coisa (não digam a ninguém, mas eu gosto que me calhem coisinhas boas) - e o sítio era novo, e a variante também e ela diz:
"A duzentos... metros vire... à... esquerda".
- À esquerda? Então mas eu tenho aqui um separador central, viro à esquerda como?
"Vire... à... esquerda".
E eu já a reduzir a velocidade, a passar de quinta para quarta,
- Vilamoura para a esq...
"PLIM! Recalculando..." e eu já a 70 a olhar para a gaja com voz doce - são sempre as que enganam mais, cuidado e ela vira-se e diz-me "quando puder, inverta a marcha".
- Oh filha eu não sei se já percebeste, mas eu tenho aqui uma merda a meio, e por acaso até foste tu que me mandaste vir para aqui, portanto o mais que posso fazer-te é sair na proxima e tent...
"PLIM! Recalculando..."
E eu já com cara de poucos amigos a olhar para ela tipo vá, diz lá!
"A quatrocentos... metros... vire... à direita".
- Estás a ver, filha, assim gosto de ti. Era coisa para ficar chateado se por acaso me mandasses para sítio errado...
"Vire... à direita!" e palavra de honra que ela me soou muito mais certa do que nas outras vezes, até que para onde eu saía dizia Estação, portanto devia ser ali.
- Espera lá, Estação?
"PLIM! Recalculando..."
- Oh filha duma p***, então tu estás a gozar comigo ou quê? Calma Carlos, inverte lá a marcha que a senhora até pode ter razão...
E assim foi, saí para a estação, e dei por mim no caminho de volta, do outro lado do separador, agora olhando para ela com o ar ternurento de quem lhe faz tudo o que ela quer e ela diz-me:
"Quando puder, inverta a marcha!"
- ...
E eu a acelerar - Eu vou mas é sozinho, minha p*** de m**** e ela:
"PLIM! PLIM! Inverta a marcha! PLIM!"
- Podes tratar-me por tu, já temos uma confiança do c******, parece que já mandas e ainda agora chegaste, já te digo minha p***!
Fui sozinho e fui, até entrar em Vilamoura. Ela depois redimiu-se, e foi, já lá dentro, levar-me ao complexo turístico que eu procurava - nada a que um velho que passasse, com cara de quem tem mais anos de vida que mais alguém ali (ou seria das rugas cravadas no rosto?) não respondesse:
"Vais bém, moço. Aí im frenté, vira à esquerdã, é aqui pertinho de nós, magane, 'tém náda que sabér".

domingo, 5 de outubro de 2008

1 ano em retrospectiva

Faz este blogue um ano, por esta altura. Não houve propósito na data, mas sim na sua criação.
Este espaço é para mim várias coisas: é uma via de comunicação porque através dele é possível conhecer mais gente com interesses comuns e perspectivas diferentes, acima de tudo. Na perspectiva contrária, também me dá a conhecer: a quem me lê, sim, mas a mim também.
Já terei escrito sobre os assuntos que mais me sensibilizam e inquietam, correndo o risco de ter falado mais sobre mim do que sobre qualquer outra coisa - mas foi precisamente esse o objectivo. Na verdade, isto é o que fui sendo, e consequentemente o que me leva a ser de determinada forma agora; isto é o registo da evolução, o registo dum conhecimento que apenas vem com o tempo e que tende a ser pessoal e intransmissível.
Mesmo que para cada um haja coisas que têm de se aprender à sua própria custa, os registos servem para se conhecer de novo, para recordar e voltar a sentir, para identificar, explicar, para lembrar de quem, onde, quando, com quem, como e porquê: para reconhecer.
E é bom quando nos reconhecemos nas nossas palavras ou nas de alguém com interesses comuns e perspectivas diferentes.
Se houvesse dúvidas acerca do que sou, era aqui que me reconhecia, e que as tiraria.

(O número de visitas surpreendeu-me pela positiva, bem como algum feedback deixado nos comentários de pessoas que não conheço pessoalmente - queria agradecer especialmente à Rosa, cuja atenção - e o tal reconhecimento - me deixa orgulhoso, vindo de alguém de letras que se faz explicar tão bem. Sintam-se à vontade para participar :P)

Obrigado.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Que seja uma noite que dure para sempre

O que eu gosto nos poemas é que não se descreve um poema. Não é bonito, nem feio, nem forte, nem métrico, nem nada. Um poema é indescritível porque só ele próprio consegue descrever-se; a única forma de o caracterizar é recitando-o, lendo-o, o ouvindo-o. Nesse sentido, o que podem dizer deste a um amigo? Digam: já ouviste aquela música dos Klepth? Então ouve. E mais nada.



Diga, diga?

"Se a vida te der limões, faz [a melhor] limonada [que conseguires]"
"A paciência e a sabedoria andam de mãos dadas"
"Quando não souberes como agradecer, retribui"
"A prática faz a perfeição"
"Aprende com os erros dos outros - não vais ter tempo de os cometer a todos"
"Quando um não quer, dois não dançam!"
"O amor é cego (e surdo e, provavelmente, estúpido)"
"If it wasn't the bitter, the sweet wouldn't be so sweet"
"Os homens querem mulheres bonitas. As mulheres querem os homens... que tenham tido mulheres bonitas."
"As pessoas não são perfeitas. As coisas acontecem, pelas razões mais parvas. Não é isso que nos define, mas sim o que fazemos depois, o que fazemos com o que fizemos"
by Rodrigo Guedes de Carvalho
"A nossa vida não é o que aconteceu, mas o que recordamos e como recordamos" by Gabriel Garcia Marquez


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toda e qualquer actualização futura será acrescentada a negrito
aceitam-se sugestões

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Diga, diga?

"Se a vida te der limões, faz [a melhor] limonada [que conseguires]"
"A paciência e a sabedoria andam de mãos dadas"
"Quando não souberes como agradecer, retribui"
"A prática faz a perfeição"
"Aprende com os erros dos outros - não vais ter tempo de os cometer a todos"
"Quando um não quer, dois não dançam!"
"O amor é cego (e surdo e, provavelmente, estúpido)"
"If it wasn't the bitter, the sweet wouldn't be so sweet"
"Os homens querem mulheres bonitas. As mulheres querem os homens... que tenham tido mulheres bonitas."
"As pessoas não são perfeitas. As coisas acontecem, pelas razões mais parvas. Não é isso que nos define, mas sim o que fazemos depois, o que fazemos com o que fizemos" by Rodrigo Guedes de Carvalho

domingo, 28 de setembro de 2008

Diga, diga?

"Se a vida te der limões, faz [a melhor] limonada [que conseguires]"
"A paciência e a sabedoria andam de mãos dadas"
"Quando não souberes como agradecer, retribui"
"A prática faz a perfeição"
"Aprende com os erros dos outros - não vais ter tempo de os cometer a todos"
"Quando um não quer, dois não dançam!"
"O amor é cego (e surdo e, provavelmente, estúpido)"
"If it wasn't the bitter, the sweet wouldn't be so sweet"
"Os homens querem mulheres bonitas. As mulheres querem os homens... que tenham tido mulheres bonitas."

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sexta-feira, 26 de setembro de 2008

O Homem do Leme

Cheiro a mar que te entra, perfume de ti que te sai,
Ergues-te à brisa na névoa por onde a tua alma vai,
Sais dela por ires mais longe, como quem se destaca
Num teatro colorido em que a máscara não cai.

Não sabes mais, mas melhor; tens noção
De quantos pregos te cravaram o caixão.
Mas vais mais leve e mais alto, ainda que
Não se comprove quando debaixo do chão.

Não negas os corpos que deixaste para trás,
Nem os erros que incomodariam a mais alguém.
Um valente: menos de tudo de ti nunca dás;
Quem te ousa apontar o dedo? Ninguém.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Neste seguimento...

Já várias vezes tinha pensado pegar neste assunto, mas nunca o tinha feito aqui, que me lembre. (Ainda estou para perceber se já repeti ou não assuntos, mas prefiro pensar que uma revisitação trará sempre algo de novo, se for esse o caso).

Eu amo McDonald's, mas se comesse 4 refeições por dia durante meses seguidos morria "afogado" em gordura;
Eu amo cerveja, e o raciocínio é o mesmo, mas desta vez ficava cirrótico;
Há quem ame cortar-se, mutilar-se, há quem se faça passar por sofrimento (nem que seja para pagar promessas).
Há quem ame fumar e quem prometa a si mesmo deixar de fumar um dia, estando perfeitamente ciente de que se vai começar "amanhã", e sempre "amanhã".
Em todos os casos amamos coisas que nos fazem mal: todos temos aquele amigo (ou deverei dizer amiga?) que até consegue deixar de fumar mas que mais tarde ou mais cedo volta aos cigarros, porque ele ama cigarros, não temos? Ou o que por muito que tente não consegue deixar de comer porcarias o dia todo porque ama comer porcarias.
Não temos?
E todos conhecemos pessoas (e que atire a primeira pedra quem nunca teve vícios!) que acabam e recomeçam e acabam e recomeçam e acabam e recomeçam e que adoram quando recomeçam porque amam a pessoa que amam.

"Ai, oh Carlos, deixa-te de merdices, porque estás a comparar o incomparável e tal..."
Estarei?
A minha mãezinha diz "isso nem é amor, é doença!"; Um mau amor é um vício, tão difícil de ultrapassar como outros, ao qual tentamos resistir como aos outros, e no qual arranjamos as mais esfarrapadas esperanças para nos enganarmos a nós próprios. Como nos outros vícios.
"Desta vez vai ser diferente, ele mudou!", "é só um cigarro, eu juro", "eu? vou só jogar 10 euros", "opa uma vez de vez em quando não faz de ti nada", "eu juro que é só uma bolinha de berlim!".
O amor é cego, e surdo, e estúpido - e em última análise não temos culpa do que - ou de quem - gostamos; mas mais uma vez, continuar ou não está nas nossas mãos.
E não há vício nenhum que seja mais forte do que nós (nenhum, nenhum, nenhum).
Nem esse.

Diga, diga?

"Se a vida te der limões, faz [a melhor] limonada [que conseguires]"
"A paciência e a sabedoria andam de mãos dadas"
"Quando não souberes como agradecer, retribui"
"A prática faz a perfeição"
"Aprende com os erros dos outros - não vais ter tempo de os cometer a todos"
"Quando um não quer, dois não dançam!"
"O amor é cego (e surdo e, provavelmente, estúpido)"

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terça-feira, 23 de setembro de 2008

Diga, diga?

"Se a vida te der limões, faz [a melhor] limonada [que conseguires]"
"A paciência e a sabedoria andam de mãos dadas"
"Quando não souberes como agradecer, retribui"
"A prática faz a perfeição"
"Aprende com os erros dos outros - não vais ter tempo de os cometer a todos"
"Quando um não quer, dois não dançam!"

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Diga, diga?

"Se a vida te der limões, faz [a melhor] limonada [que conseguires]"
"A paciência e a sabedoria andam de mãos dadas"
"Quando não souberes como agradecer, retribui"
"A prática faz a perfeição"
"Aprende com os erros dos outros - não vais ter tempo de os cometer a todos"

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sábado, 20 de setembro de 2008

A Lei do Fora-de-Jogo

E eu adoro futebol e vocês até sabem, portanto (e ao ver com espanto o Golo do Postiga contra o Belenenses) eu resolvi dar asas à minha revolta interior duma forma construtiva.
Um jogador está em jogo quando, no momento em que lhe é passada a bola:

1. Está atrás da ou na "linha da bola" (imaginária, paralela à linha de fundo e que intersecta a bola), como por exemplo nos cantos, em que a bola é sempre passada para trás, e em que forçosamente todos os jogadores estão em jogo porque a bola está na linha de fundo;
2. Quando está antes ou na linha do meio-campo;
3. Quando está antes ou em linha com o penúltimo jogador da equipa adversária;

E não, eu repito - NÃO! - estamos a falar do último defesa; é certo, sim, que a maior parte das vezes o penúltimo jogador é o último defesa, até porque o guarda-redes é normalmente o último jogador a ultrapassar por parte de quem ataca; mas se lhe der na real telha de tentar marcar um golo lá à frente ou de sair da baliza sem quê nem para quê
- "É minha!"
e ficarem dois mecos de dois defesas cá atrás então o avançado terá de estar atrás do penúltimo defesa, porque nesse caso ele é também o penúltimo jogador;

E o Postiga estava fora-de-jogo, porque entre ele e a baliza só havia um - giro é que os fiscais de linha não saibam as regras do jogo, e se guiem pela regra errada supracitada - lembram-se do Holanda - Itália do Euro, em que o coitado do último defesa até estava KO fora do campo?

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Pormenores

A paciência e a sabedoria andam de mãos dadas...
... e se a segunda não tem limites, a primeira tem-nos.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Os pinguins

Há espécies de pinguins em que cada par - macho e fêmea - acasala durante uma vida inteira; tal como nas pessoas, eles lá devem ter alguma coisa que os distinga e que faça cada um deles especial.
A verdade é que na maioria das espécies todos os anos os machos lutam e pavoneiam-se para conquistar a fêmea, ou um conjunto de fêmeas.

Os homens deste mundo são verdadeiros animais: disso não há a mais pequena dúvida; a questão é se querem ser pinguins, se querem ser machos dominantes, ou se querem ser como os amantes da "viúva negra", que se dão a comer à sua parceira aranha (atenção, neste caso comer é no sentido literal do termo) para ela perder umas horas a roer a carcaça deles e assim haver certezas quanto à paternidade das futuras aranhas;

Não creio que seja possível para um homem (e já agora, para uma mulher) ter apenas um parceiro sexual a vida inteira - se bem que possa haver um caso ou outro -, porque os homens são deveras mais curiosos que os pinguins. Porém, aqueles que se identificam com eles têm um conjunto de características comuns: na impossibilidade de terem apenas uma parceira, têm apenas aquelas que eles acham que merecem tê-los (que serão poucas, à partida); na impossibilidade de ser para toda a vida, esforçam-se por ser o mais tempo possível (de preferência sem se desrespeitar); e nunca esquecem o que havia de especial naquele pinguim-fêmea para o qual um dia eles olharam como a pinguim da vida deles.

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3 anos, pinguim! :)

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Telefonemas anónimos

Este telefonema é genial: eles ligaram para um numero ao calhas, a chamada foi ter a Porto de Mós, ao que parece, a casa de um velho que pelos vistos tinha uma sobrinha chamada Paula, e muito vício naquele corpo.
De abrir a boca de espanto, do princípio ao fim.

Formas de comunicação

Quando recebemos uma mensagem escrita, uma carta ou outro tipo de mensagem que só contenha texto (e onde nos falte uma imagem); quando só vemos uma imagem - que pode ser daquelas que vale mais que mil palavras - pode, mesmo assim, faltar uma explicação escrita (quem disse que mil palavras chegavam?); quando temos texto e imagem, ou quaisquer outros dois conjuntos, a ambiguidade existe. E multiplica-se: porque se até aqui a má interpretação podia residir num ou noutro, agora podem até singularmente fazer sentido mas em conjunto resultar mal, isto é, não satisfazerem uma coerência a que estavam obrigados, podendo nesse caso ser acrescentada comunicação verbal (acontece com anúncios publicitários, a vozinha off sempre lá bem presente...)
Mesmo tendo som, imagem e podendo ver os gestos e trejeitos duma pessoa, como numa videoconferência, continua a faltar-nos o contexto, quer espacial quer temporal - quem é que, por exemplo, nunca se riu da cara dum presente quando se lança uma private joke que ele não entende?
Não há dúvida que enquanto houver comunicação vão sempre haver mal-entendidos, mas na minha opinião eles tendem a diminuir na razão inversa destes 3 factores:

1. A expressividade natural da pessoa (até que ponto ela quer mostrar / não consegue esconder os seus estados de espírito);
2. A capacidade que essa pessoa tem de ser coerente entre o que quer fazer passar e o que realmente faz passar (em palavras, gestos, imagens, movimentos, sons, etc, etc...);
3. O número de veículos segundo os quais se pode comunicar (exemplos em cima);

Para mim, é sempre melhor pessoalmente (3.), com alguém que não tenha medo de mostrar como vai (1.) e que saiba quando e como ouvir e ser ouvido (2.), sem nunca utilizar aquela estúpida expressão do "ai, sabe lá você, nem tenho palavras para descrever aquilo!"

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Adidas Star Cushion 6

Mas em vermelho :P

domingo, 7 de setembro de 2008

Vou ter saudades

A queima nem é para muita gente uma coisa assim tão boa; é certo que se vêem maus exemplos, que se cometem exageros... mas para as pessoas daquele carro 30, o cortejo foi rápido demais, foi bom demais :)

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Fica o esclarecimento, Rita

Como não deixaste e-mail e eu quero isto bem esclarecido, cá vai: em relação à tua frase de que "iludidos andamos todos quando pensamos que as pessoas mudam" eu dou-te razão: normalmente quando sentimos isso, sentimos que elas não mudam em algo que era fundamental que mudassem, sentimos que por muito que batalhemos nunca alteraremos determinadas características que nos faz mais tarde ou mais cedo transtorno - de facto, e tal como eu disse em "Are you sure?", há singularidades em cada pessoa que nunca mudam por mais que queiramos, mesmo que a nossa relação com elas fique diferente - quem é que um dia me vai impedir de escrever, por exemplo?
Só que uma coisa é mudar, e outra é evoluir, e em "Are you sure?" eu falei mais de evolução e não de mudança: eu escrever escrevo sempre, ou seja, esse facto não muda, e sei que vou continuar a escrever apenas e só porque sempre escrevi - mais uma vez, no máximo aquilo que sabemos para sempre é aquilo que soubemos desde sempre. Porém, eu posso ao longo dos anos, por uma questão de evolução, de contacto com outras formas de expressão e outros autores, diferenciar ou adaptar a maneira como escrevo de forma a que eu a ache mais sensata, mais esclarecedora, mais artística, mais pessoal, etc, etc...
O que eu quero dizer é que numa pessoa acontece geralmente que não muda muito do que ela é, mas talvez mais a maneira como o demonstra, por isso disse antes que quando alguém já nos deu razões de queixa e mesmo assim continuamos a dar-lhe confiança, quando o fazemos várias vezes ainda por cima, temos o direito de nos sentirmos mal por vermos que as nossas expectativas saíram goradas mas nunca, nunca de dizer que não estávamos à espera.
Da mesma forma que as pessoas em si evoluem, evoluem as relações entre elas e a maneira como elas se lidam reciprocamente - e eu acredito mesmo que quando duas pessoas se entendem naturalmente (ou instintivamente) não há nada que as impeça de se manterem assim a não ser uma vontade - e basta que seja a vontade de uma delas - contrária a essa.
As circunstâncias mudam, o ambiente muda, as pessoas adaptam-se e nesse sentido evoluem... mas o que elas são, na sua essência, nos seus instintos, nas suas reacções, na maneira como reagem nos dois décimos de segundo seguintes a um acontecimento, mesmo que depois tomem uma acção que tente demonstrar o contrário, elas são-no, para o bem e para o mal - fatalmente, eu teria sempre, fosse de que maneira fosse, de te esclarecer, porque nem sequer ía adormecer depressa caso contrário - mas a maneira como o faço é influenciada por um sem fim de coisas.
Portanto temos ambos razão: esperamos que mudem no que há que nos transtorna, e normalmente não mudam; e esperamos que nunca evoluam de maneira a que a vontade delas se torne, fruto do que vão experienciando, diferente da nossa, ou que evoluam para pior, sendo que pior é sempre do nosso ponto de vista. O primeiro mais intrínseco e reactivo, o segundo mais pensado e fruto de uma acção mais ou menos ponderada.

É assim que eu tendo a ver as coisas neste momento...
e só assim consigo explicar por que razão me acontece falar duas horas com alguém e que parece ter sido meu amigo de sempre (ou, por outro lado, haver alguém com quem simplesmente não me consigo dar e pronto!) e "perder" meia hora da minha vida a explicar-te o porquê afinal disto não ser um contrasenso tão grande assim:

é que se há coisas más que não mudam, há coisas boas que também não :P
beijinho, Carlos

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Em Portugal, pois!

Pushing me Away (Live) (Oeiras Alive 2007 Version).mp3 - Linkin Park

Banda Sonora de Sempre

Instrumentals - Linkin Park - In The End (Piano Remix).mp3 - Linkin park

I tryed so hard
and got so far
But in the end
It doesn't even matter
I had to fall
to lose it all
But in the end
It doesn't even matter

Banda Sonora Algarvia (II)



Sum ta dob um beijo na boca dzem se bo ta gostá
Se eu te der um beijo na boca, diz-me se gostarás

Sum ta dob um volta na praça dzem se bo ta gostá
Se eu der uma volta contigo na praça, diz-me se gostarás

Sum ta dob um massagem na costa, dzem se bo ta gostá
Se eu te der uma massagem nas costas, diz-me se gostarás

Sum ta dob um pegada na polpa, dzem se bo ta gostá
Se eu te de der um apalpão, diz-me se gostarás

Dos passagem jantar na Roma, dzem se bo ta gostá
Duas passagens um jantar em Roma, diz-me se gostarás

Levob pa loja compra bos ropinha, dzem se bo tá gostá
Levar-te às lojas e fazer umas compras, diz-me se gostarás

Rio de Janeiro, carnaval dzem se bo ta cré ba
diz-me se gostarias de ir

Copacabana caipirinha dzem se bo ta gostá
diz-me se gostarás

Refrão
Cre sabé o que q bo ta gostá
Kero saber o que realmente gostas

Bem contá me o que q bo ta gostá
Conta-me o que realmente gostas

Banda Sonora Algarvia (I)

Tocas Miracle (Club Mix) - Fragma



If you're gonna save the day
And you're hearin' what I say
I feel your touch
Your kiss, it's not enough
And if you believe in me
Don't think my love's not for real
I won't take nothin' less then a deeper love

Let me tell you
You know I,
I need a miracle
I need a miracle
Its more physical than
What I need to feel from you

Let me tell you
You know I,
I need a miracle
I need a miracle
Its more physical than
What I need to get me through

Tell me that you understand
And you'll take me as I am
You'll always be the one to give me everything
Just when I thought no one cared
You're the answer to my prayer
You lift my spirits high
Come on and rescue me

Are you sure?

Anos de confiança estragados num único momento... a quem já não aconteceu?
Coisas que julgávamos certas e que afinal não são bem assim, atitudes que mudam quando mudam as circunstâncias, valores que por uma vez não são seguidos e que para sempre nos darão aquele nó na garganta, quer porque desiludimos, quer porque fomos desiludidos.
Evoluir é a exigência não de hoje em dia, mas de sempre: de facto, o tempo nunca pára. E nem sempre evoluir quer dizer melhorar. O tempo nunca pára, mas isso nem sempre quer dizer que traga coisas boas: evoluir quer dizer mudar de tempo, de espaço, de rumo, de atitude, de comportamento, de ideia - para melhor, ou para pior.
Já tive o pensamento de que se conseguisse chegar bem com alguém ao final de um dia, a cada dia que passasse, que então dia-a-dia se construía uma amizade que duraria para sempre. O que eu me esqueci de introduzir na equação foi a evolução: tudo o que muda à volta e que não controlo, que faz piorar a relação.
Se vistas assim as coisas, facilmente se concluiria que não podemos ter a certeza de nada, diriam os mais fatalistas.
Eu diria que as coisas que pensamos que nunca irão mudar são apenas aquelas que ainda não mudaram até agora: não me interpretem mal!, eu acredito mesmo que há coisas que nunca mudam, e sei que as há porque as experimento todos os dias da minha vida - porém elas sempre lá estiveram desde o primero dia, prontas a serem experimentadas.
É errado ter esperança que nunca nada mude, porque pode mudar.
O que é certo é ter esperança que quando alguma coisa mude no relacionamento entre quaisquer duas pessoas - mesmo que haja singularidades nelas imutáveis - elas se adaptem no sentido de o manter e fortalecer.
É errado ter a certeza que vamos conseguir, mas é certo ter a certeza de que vamos tentar - e enquanto do outro lado sempre tivermos esse feedback, podemos então verificar todos os dias a realização da utopia em que as equações batem certo por muitas variáveis que se acrescentem.
As únicas certezas que podemos ter para sempre são aquelas que tivemos desde sempre - as certezas de que há vontade, para manter, para melhorar, para dar feedback, para resultar.
É preciso é saber-se o que se quer, para que as vontades não derivem.
Gosto sempre muito mais de quem sabe o que quer, com certezas.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

The fastest (II)

Palavras para quê?
Cilindrou o record do Michael Jonhson... com o vento contra de um metro por segundo.

estátua ao homem, é tudo.

Hora de calar

Palavras caídas no tempo levadas em prosa por ti
O vício do roubo da alma que te faz apoderar de mim
Certas no momento em que saem, apenas por estares aqui.
Fugidias e vãs quando sais, porque as levas aí dentro, assim.
Desengano-me que quando entres as vás repetir duma forma
Que não tenhas já tentado quando entraste outrora;
Engano-me pensando que o bom filho à casa torna:
São bonitas, és bonito, és sempre amado aqui.
Levava-las tu convencido que não as sabias guardar até
Ao dia em que o que disse não se mantinha já de pé.
Fardo pesado, que carregavas quando me deixavas para trás
Com elas ou comigo arcavas, que qualquer diferença não faz;
Palavras que eram minhas e tuas sem nossas nunca terem sido
Eu carreguei-tas e dei-tas para que entender as possas
E tu só as levavas e trazias de volta, iguais às que deixaras à porta
E tu só as levavas e trazias de volta, sem nunca as ter ouvido
Só as levas e as trazes de volta, sem nunca as teres entendido.

The cutest


Depois de ser campeão do Mundo com 17,74 o ano passado, é campeão olímpico com 17,67 agora.
Foi - e já o era antes disso - merecedor do lugar de porta-estandarte da comitiva, pelo atleta que é, sem dúvida, mas pela inteligência no trato que transparece, também.
Teve o que em Portugal se considera a "lata" de dizer que festejou o 2º lugar da selecção no Europeu, depois de perdermos com a Grécia: afinal, e com toda a razão para o dizer, "nunca havíamos chegado tão longe".
Da mesma maneira que "cada jogo é um jogo", cada prova é uma prova - que o diga a Naide Gomes! - e por 4 ou 5 cms (em 17 metros e tal!!!) se decidiu um vencedor que, mesmo que não o tivesse sido noutra prova, teria sempre chegado longe - como a selecção em 2004, em que perdeu por um golo apenas.
Apetece-me dizer que a este, se de manhã lhe apetece esticar as perninhas e ficar na caminha, como ao outro, não sei, mas que pela hora da noite ele salta de c******, é verdade.
Era ele a chorar em Pequim e eu a fazer-me de forte para não o fazer também aqui em Portugal - ser-se grande não toca a todos, mas toca em todos.

Obrigado, Nelson.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

The fastest

A 15 metros da meta ele encara as pessoas na bancada, começa a festejar, passa-a com uma mão no peito como que dizendo "sou mesmo o maior" e quando se olha para o relógio diz-se:
NÃO É POSSÍVEL!

Mas era.
Longe vão os tempos em que menos de 10 segundos era uma utopia: acredito que este fenómeno possa descer dos 9 e meio.

Fez 9,69.

A propósito de tomates

As mulheres queixam-se demasiado, generalizando e resumindo.
Porque é o período, porque é o TPM, porque elas é que têm os filhos, porque são elas que têm filas para a casa de banho e nós mijamos em qualquer lado, porque quase tudo na vida delas, como elas dizem, "é complicado".
Já fiz questão de explicar esta teoria anteriormente (por sinal a um rapaz que, infelizmente para a boa reputação do nosso sexo, parecia desconhecer totalmente o facto assinalado no ponto terceiro, mais abaixo), mas vou revelá-la em primeira mão aqui
- olhem olhem o acontecimento -
visto não ter problemas em assumir que me rói de inveja.

As mulheres podem ter esses incovenientes todos, mas há aqui dois ou três factos que eu gostaria de salientar:
1. Elas não sabem como é levar uma bolada nos tomates. Daquelas rematadas pelo boi da escola, que jogaria rugby ou basquetebol facilmente em qualquer clube da cidade e que por azar escolheu dar uns toques na bola - desajeitados, claro - no mesmo intervalo de nós.
2. Elas não sabem o que é ter comichão nos tomates, principalmente não sabem como ela só nos dá em ocasiões e locais onde parece sempre mal que os cocemos em condições, pelo que fazemos figurinhas tristes a tentar ignorar aquela porra, ou a coçar "sem dar nas vistas". Ridículo.
3. Finalmente, como busílis da questão, elas não dão valor a um facto anatómico decisivo para equilibrar a balança de justiça divina entre homens e mulheres: elas têm múltiplos orgasmos - e não orgasmos múltiplos, porque são vários com a força de um e não um com a força de vários - e eu, e todos nós, homens, nem que déssemos o pino e a cambalhota tínhamos mais do que um de cada vez.

Elas não têm de ver a cara delas depois de dois ou três como que dizendo: já estás? É que eu continuava mais um bocadinho, mas ok, eu espero. (quando não é depois de dois ou três é pior, só se lê
- foda-se -
e por mais que nos tentem convencer que os orgasmos valem o que valem, nem que seja dentro das nossas cabecinhas, elas vão sempre dizer
- foda-se -
nem que seja à melhor amiga, quando não estivermos).

Se eu pudesse tê-los, minhas meninas, eu esperava meia hora com a bexiga carregadinha, de cada vez que quisesse ir à dita casa de banho, com uma cara tão alegre que todos os rapazes à minha volta iam julgar que estava um homem dentro da casa de banho da mulheres - ao invés do que usualmente sucede.

Resta dizer que deve ser por isto que alguns homens - eu incluído - tendem a gostar de mulheres que sejam parecidas com eles nestes termos; que aproveitem o melhor que têm e as capacidades que cada vez mais as fazem diferenciar-se positivamente de nós, sem que queixarem, sem que defendam a igualdade entre sexos quando lhes convém e depois entrem na nossa casa de banho porque estão "à rasquinha", ou nos façam aquela cara de
- foda-se -
mesmo quando nos esforçámos por imaginar aquele acidente que vimos com um morto na A1, de maneira a que pudéssemos durar mais uns segundinhos que fossem.

sábado, 9 de agosto de 2008

Pedreiros

Há dias ía almoçar com colegas - éramos 4 rapazes e uma rapariga, giraça como só ela - e entretanto passam duas carrinhas de caixa aberta com senhores que trabalham na construção civil dentro delas.
Passa a primeira, e nós os 5 como quem já esperava alguma coisa calámo-nos quando o pendura pôs a cabeça de fora do vidro (como se não se ouvisse já bem com ela lá dentro) e berrou:
- Oh boaaaaaaaaaaaaaaa!
Pensámos naquele instante "que falta de originalidade, é mesmo broeiro, este" e eis senão quando a segunda camioneta tem um personagem do mesmo género mas mais inteligente, deveras:
- Ihhhhhhhh cuuuuum caraaaaaalho... uuuuuum, dooooooois, trêêêêês, quaaatroooo.....
Escusado será dizer que os rapazes se escangalharam a rir, e que a giraça encolheu os ombros como se fosse sua sina ter de ser sujeita àquilo de qualquer forma.

Discutimos quais as frases do género mais rebuscadas e menos conhecidas nos lembrávamos, eis algumas geniais:

"Já comi toucinho com mais pêlo!"
"Fazia-te como a um puzzle, depois de te montar escangalhava-te!"
e a minha favorita

"O teu clitóris deve ser na testa... [e depois dela olhar com aquela cara de quem não percebeu o que raio se quis dizer o senhor terá a bondade de explicar]: é que tu és c*** da cabeça aos pés!"

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

O Egoísmo Altruísta

Não há sentimento como esse: o facto de nos sentirmos bem porque nos dedicámos a alguém, e vimos que um sorriso ou gesto dessa pessoa foi o suficiente para nos recompensar.
Gosto de ser importante para os outros, de me dar, de me esforçar e sacrificar, para que possa sentir que valho a pena como pessoa: pôr as necessidades dos outros acima das nossas é, nesta perspectiva, um comportamento egoísta, já que em última análise o que queremos é ficar bem com a nossa consciência - mas para mim, é o egoísmo mais saudável e prazeroso que se pode ter.

Há sempre duas faces na mesma moeda

Ao contrário dos anos anteriores, não fui até terrenos algarvios deleitar-me com a água quente.
Preferi ficar por mais perto: a água é quase tão boa, o tempo é quase tão bom, e o sossego é quase o mesmo, ou seja, não tem nada a ver. Mesmo assim, e vendo as coisas como elas é - já dizemos no seio do nosso grupo (e como eu gosto da expressão "no seio") - também há aspectos positivos.
A companhia, principalmente, e o facto de se estar muito mais perto de "tudo".
Justificando-se assim uma menor frequência de posts durante este mês, a expectativa é que quando ele acabe eu tenha muito mais para dizer, no entanto: não me perguntem porquê, mas eu sinto que por estes dias tudo se tem conjugado para mudanças rápidas e significativas na vidinha aqui do vosso amigo. A confirmar-se, virão na fase ascendente dum rebound que começou nesta data e que já acabou há bastante tempo, se bem que isso não são coisas que se confirmem assim, sem mais nem menos.
Estou naquela fase em que posso dizer, do alto de tudo o que ainda quero aprender, que quando saio da praia, de óculos escuros, cabelo salgado e desgrenhado do mar, toalha no ombro e vontade de ser o último da família a pisar a passadeira no regresso, limpando os pés depois de toda a gente porque tenho tempo e não devo nada a ninguém, me sinto bem. E que tenho uma sensação óptima de que pouca coisa me trará um mal-estar tão grande assim.
Eu sou de ruminar pensamentos, ou seja, eu penso sempre várias vezes nas coisas depois delas acontecerem. Contudo, no meu caso a ruminação vastas vezes não é prenúncio de princípio de depressão como para outros casos: a objectividade de análise e a consciência tranquila fazem com que cada vez que pense, veja várias coisas muito certas entre uma ou outra errada, e alguém muito feliz por ser comigo e ficar comigo, mesmo que haja tempos em que precise de afastar-se.
Com o tempo, aprendi que tenho tempo, desde que em cada momento eu esteja bem com a maneira como o vivi. E quando se vivem tempos difíceis da melhor forma possível, e quando nesses momentos não estamos sozinhos mesmo que por momentos (ou uns tempos) queiramos ficar, vive-se bem.
E isso, meus senhores, é o que me faz limpar os pés com tempo, e sem dever nada a ninguém.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Não, não sou o único!

«Quaresma é um jogador comum» (Sacchi)

Arrigo Sacchi considera que Ricardo Quaresma não é jogador para o Inter. O antigo treinador da formação transalpina, agora orientada por José Mourinho, vai ao ponto de dizer que o extremo do FC Porto «é um jogador comum», que «normalmente não faz a diferença».

«Quaresma não é um campeão. Quando tem um dia bom, causa problemas aos adversários, mas normalmente não faz a diferença», afirmou Sacchi, contundente, em declarações à Gazzetta dello Sport, prosseguindo: «Quando era jovem, parecia ser um campeão, mas agora é um jogador comum».

De resto, Sacchi mostra-se bastante crítico com a política de contratações da equipa nerazzurri: «Jogadores como Mancini e Muntari não entusiasmam os adeptos. É certo que continuam a ser os favoritos para conquistar o título, mas penso que não melhoraram em relação à época passada».

Visto aqui

terça-feira, 29 de julho de 2008

Ao Bruno Nogueira

Porque o sentido de humor e a inteligência andam de mãos dadas, fica a admiração.

It takes one...

"It takes one to replace one."

Acho que a ouvi no house, como já terei tido outras que ouvi e sobre as quais aqui escrevi.
Não achava que tamanha explicação coubesse numa frase tão pequenina, e mesmo assim não consigo concordar mais.
É preciso algo exactamente do mesmo género de outra coisa que se perdeu, para a poder potencialmente substituir - senão vejamos: há lá coisa melhor que um abraço demorado e cúmplice, por exemplo? Que outra coisa o poderia substituir, que não um mesmo abraço com as mesmas características?
E se a pessoa que abraçamos for diferente, teve de ser substituída por outra pessoa com quem tenhamos o género de relação que resulte nesse tipo de carinho - tal com tínhamos tido antes.
Não sendo possível, e ainda bem, conceber duas pessoas iguais, há sempre algo em comum nas que vamos substituindo na nossa companhia, em todos os sentidos: ou são elas que têm características comuns ou somos nós que as sentimos duma forma similar à nossa, similar ao que sempre fomos.
Para mim não se pode resumir mais esta verdade: que não há maneira de substituir um grande amor sem ser com outro, por exemplo, que não há maneira de substituir nada a não ser que se tenha algo que, na prática, seja do "mesmo género", no sentido de que nos dê o mesmo tipo de satisfação e prazer que tínhamos antes, ou pelo qual tenhamos o mesmo tipo de gosto e sentimento.

Sem que nada nem ninguém se esqueça, sem confundir substituir com esquecer ou enterrar o que se teve, o que é certo é que, para mim, é verdade, e que pessoalmente estou convicto que é por isso que pelo muito que tenhamos às vezes sentimos que nos falta qualquer coisa, e que normalmente, apesar de não o dizermos, sabemos o que é:

"It takes one to replace one."

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Figueira - Montemor - Alfarelos - Pereira - Taveiro - Coimbra

A estrada tem troços menos bons, mas é só rectas é não há semáforos de 50.
O conselho é que façam Coimbra-Figueira primeiro e só depois o inverso: a sinalização é melhor para lá do que para cá.

A professora de Matemática do 9º ano

Juro-vos que punha aqui o nome dela, se me lembrasse. Mas não.
Era a última aula do 9º ano, tínhamos ido ver um filme sobre já não sei o quê, claramente um fazer de tempo até que as férias chegassem. Como na altura era moda, queríamos dedicatórias para levar para as férias, principalmente das professoras que possivelmente não veríamos mais.
- Oh Professora - disse eu, depois de ja ter tocado - faça aí uma dedicatória.
"Mas já tocou, tenho pouco tempo para escrever..."
- Ponha aí qualquer coisa, professora.
Ela olhou para mim, escreveu, e enquanto o pessoal arrumava ela deu-me o papel para a mão e ficou a escrever outra coisa a alguém.

"Quando tiver um filho quero que ele seja como tu"

tinha ela escrito.
Lembro-me que não estava à espera. Estagnei, a olhar para ela e enquanto escrevia a outra pessoa olhou-me e sorriu
- Foi profundo, professora, obrigado.
E retirei-me sem saber o que mais dizer.

Uns 3 anos mais tarde encontrei-a por acaso, na baixa, e tal como hoje, não sabia o nome dela.
"Carlos!" diz ela. "Como estás?"
Falámos sobre a vida dela, mas principalmente da minha. E sabem que mais?
Não pude deixar de sorrir ao vê-la com uma barriga de grávida aí com uns 7 meses.
Lembrei-me do episódio, e resisti à tentação de perguntar se era um rapaz, mas sei que fiquei muito feliz por ela.
E tendo em conta o que ela merecia, sairá melhor ainda, com certeza.

terça-feira, 22 de julho de 2008

A homenagem

Às pessoas que conseguem tirar as palavras a quem as tem, e as sabe utilizar, em sobra, a homenagem possível é feita assim: sem elas.


Jeremias, O Fora-da-Lei - Jorge Palma

Neste caso, o lado de fora não é o de fora da lei, mas o de fora da "caixa".
Obrigado, primo.

Tiradas de Génio

Sabem o que é o HIV?
É o hi5 dos romanos.

... à Mafaldinha :)

Reencarnação

Não acredito nela. Mas se a houver, então noutra vida eu terei morrido novo e subitamente, com a mão dada à mulher da minha
(ou daquela, sendo assim)
vida, pensando por que razão tudo tinha de acabar tão cedo.

Querem apostar?

That's me

Sei ser uma pessoa das pessoas quando as pessoas precisam de mim.
Estou a aprender ser uma pessoa das pessoas quando as pessoas momentaneamente não precisam.

Quem me vir em complexo deixará de me bem ver
Pois no propósito ou no intento eu sou e serei;
Com o método e o meio que em tempo me couber
Pelo que é simples, e que simples entendo, lutarei.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Lion King Medley

Aquela coisa por musicas da disney

quarta-feira, 16 de julho de 2008

De cabeça baixa, a ouvir

Fala para aí que o que me dizes já eu conheço de cor
Faz que não sabes, não conheces, não pensas,
Faz em consciência o que achares melhor;

Fala para aí que o que digas agora
Nada muda no que foi dito ou ficou por dizer,
Entre o que sabíamos verdade e nos ficou por saber;

Fala que eu ouço e não compro nem uma das que digas,
Porque te sei, e à verdade, e pelo menos que seja
Isso onde a diferença, de facto, esteja.

Fala enquanto o mundo gira contigo nele
E não à tua volta como gostas de pensar:
Julgas tu que algum dia parará de girar?

Não conheces o que falas porque o que falas não és tu;
Não integras o que calas porque não falas o que sentes;
E enquanto o mundo gira, contigo nele, mentes.

E enquanto o mundo gira não é a mim que convences -
- Que eu soube-me feliz, e capaz de to expressar,
E não sei se estarei cá quando o teu discurso mudar.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Lembram-se?

Not such thing as a bohemian

Um orgulho

Dá orgulho ter amigas que escrevem assim.
Podia tê-lo sido por mim, mas nunca tão bem.

Reliability

Gosto muito desta palavra: podia usar fiabilidade, a portuguesa, e era a mesma coisa.
Fiabilidade, aquilo que é fiável, em que se pode fiar (ou confiar)
Reliability, things you can rely on; rely significa deixar "à confiança", significa um desprendimento em relação à responsabilidade, um saber que está "bem entregue".

Muitas vezes, quando era puto, perguntava à mãe se podia ir ao café ou a outro sítio qualquer: "pergunta ao teu pai".
- Pai, posso ir ao café?
"Sei lá, pergunta à tua mãe"
- A mãe disse para te perguntar a ti!
"Por mim, podes"
- Mãe, vou ao café!

Sem querer, estavam a dar-me uma lição incrível, associada ao facto de nenhum deles desdizer o outro quando alguém falava primeiro: o que quer que um deles decidisse estava bem decidido; e claro, quando pontualmente havia divergências resolviam-se a dois, para que a palavra dos dois pudesse sempre ser dada por um deles e valesse sempre por ambos, e para ambos, sem que os filhos se apercebessem da divergência ou pudessem explorar algum ascendente em relação ao que deles tendesse a ser mais benevolente.
Era um descanso para eles, e, agora vejo, para nós.
Porque para confiar é preciso admirar-se e identificar-se em quem e com quem se confia:

Confio em ti :)

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Já está!

"O Carlos não me diga que está a tentar tirar 20?!"
Era o último da sala e estava apenas a rever as respostas, para encontrar possíveis incoerências gramaticais. Antes do exame, tinha-me dito o professor que o meu primeiro exame - o da primeira época, no qual tinha tirado um mísero 6 - tinha sido "vazio de conteúdos", quando o fui ver ao gabinete, encontrado que o tinha por acaso.
- Por acaso é a minha última cadeira, professor! - tinha-lhe eu dito em tom divertido - se conseguir passar hoje fico licenciado.
"Então faça isso! Até já!"

- Não, professor, estava apenas a ver se tinha algum erro...
"Mas vai ter de entregar, está bem? E se quiser que eu dê uma vista de olhos rápida, posso dizer-lhe talvez se passou ou não, para ir beber o seu copo hoje descansado..."
- Se puder ser então... !
Angústia. O achar que se tinha uma boa prova e que talvez não fosse suficiente.
"Vai ter entre 12 e 15, não se preocupe. E já agora, muitos parabéns!"
É, então, "oficial": apesar de ainda não ter saído a nota, sou, com 20 anos e 147 dias,

Licenciado em Gestão pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.
Game, set, match and tournament: Carlos.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Tudo ou nada

É como ter um match point no ténis: só falta um pontinho, um mísero ponto comparado aos que já conquistámos antes. Apesar de termos servido bem no encontro, temos de bater a bola 25 vezes no chão para que a mão não trema. Caso acertemos, é a glória.
Caso falhemos, o que está para trás deixa de ter valor. Possivelmente, podemos perder o jogo e dizer "ao menos estive perto", o que saberá sempre a pouco.
Falhar um match point significa adiar algo que outros poderão ter como certo, mas que para nós só se conquista efectivamente depois de o acertarmos.
Digamos que posso vencer este torneio sem nunca ter cedido um set, mesmo que em alguns jogos o meu ténis possa não ter sido brilhante. Digamos que posso um dia contar aos meus netos que tirei um curso superior sem deixar nenhuma cadeira para trás, mesmo que lhes diga que segundo os seus bisavós isso "não era mais do que a minha obrigação".

Para isso, falta o match point. Que virá, mais cedo ou mais tarde, mas que eu quero que venha mais cedo. É amanhã. História Contemporânea.

Quiet please, the game is about to start.
Thank you.
Carlos to serve.

terça-feira, 1 de julho de 2008

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Sobe equipa!

Não resisto (II)



De ir às lágrimas

Não resisto

"Dedicada a quem?
Não interessa. É dedicada."

Genial!

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Função "vida"

Todos nós estudámos funções: o valor de um y dependia directa e exclusivamente de um valor de x, através duma expressão determinada e de um domínio de valores que x podia tomar.
Mas não é a parte da expressão que me interessa: a função obriga que a cada objecto x corresponda uma e uma só imagem y, não sendo obrigatório que fossem y diferentes (ou seja, a função não tinha de ser sempre injectiva).
Assim
f(-2) = 5
f(2) = 5 é possível.

Todos nós temos um porto de abrigo - a pessoa que nos protege, e com a qual podemos baixar defesas e ser com as fraquezas que ela reconhece e respeita - há definição para porto de abrigo?
Pelo amor de Deus.
Cada pessoa que procura um porto de abrigo está em x. Cada pessoa que o é, está em y.
Assim, cada pessoa terá apenas um porto de abrigo, mas a mesma pessoa pode sê-lo para mais do que uma: o que, digamos, não é tarefa mais fácil, mas também é mais recompensadora.
Se bem que haja alguns meninos que não tenham arcaboiço para ver as coisas desta maneira, eu sinto-me muito orgulhoso por não ser dono de ninguém nem impedir ninguém de se sentir recompensado através do contacto com muitas outras pessoas.

"Se alguém for nosso, largamos e ele volta"
E giro, giro, é quando a coisa é recíproca - e ela, no meio de tantos, nos continua a escolher a nós.

Bad timing, that's all

O que é, de facto, importante, não é em quem pensas
mas quem te faz pensar.

"If it wasn't the bitter, the sweet wouldn't be so sweet", disse ela.

É verdade, Gui

That's "the oldest trick in the book".
And quite often, unfortunately, it works.

Loucura

Gosto de pessoas loucas, que dizem quantidades industriais de merda e são inteligentes, que se fazem de parvas mas o fazem de propósito, que gozam com o que levam a sério, que brincam com aquilo que alguém leva muito a peito respeitando a opinião dele, que fazem coisas inexplicáveis para quem não é louco e razoáveis para quem o é também, que são capazes de amar perdidamente porque sim e de se darem o peito às balas mesmo sabendo proteger-se.
Gosto de quando dizem "ya, bora lá" a um desafio que alguém são não aceitaria, quando têm razões para gostar de algo totalmente diferente da generalidade.
Diferentes da generalidade.
A loucura sã, vulgo pancada nos cornos, será uma lufada de ar fresco no marasmo que é gente sempre igual, com mesquinhices iguais, com ideias iguais, com objectivos razoáveis e seguros, num mundo que tentam explicar côr-de-rosa às bolinhas.
E para essa gente pessoas loucas fazem muito pouco sentido - pode até ser que fiquem com má impressão delas, que as critiquem e ao seu "descabimento".
Aquilo que os ingleses chamam pensar "out of the box", com, mais do que pontos de vista, horizontes diferentes, ou maneiras diferentes e abertas de os expressar - eis aquilo que mais me atrai em alguém.

A loucura é condição necessária - se bem que não suficiente - à genialidade.